segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

AS 4 DIREÇÕES E OS ANIMAIS SAGRADOS

AS 4 DIREÇÕES E OS ANIMAIS SAGRADOS






As tradições que giram em torno da idéia de unidade, trabalham com o conceito de que toda a Criação é um só organismo consciente interligado, interagente e interdependente. Por mais que um bom leitor busque compreender a vida em seus compartimentos, a síntese sempre vai levá-lo na direção de perceber que tudo é uma coisa só. Muito mais do que uma tradição xamânica, este é um tema discutido pela física quântica, ne atualidade. Assim, precisamos compreender que todo universo está dentro de nós e, ao mesmo tempo, que cada um de nós é um fragmento de uma Consciência muito maior. Somos, portanto, co-criadores do universo que está em constante expansão.

As Mitologias, os símbolos sagrados e tudo que é contado geração após geração, apenas buscam colocar fora do homem o que ele tem dentro de si mesmo mas nem sempre consegue entrar em contato: seus poderes, talentos, qualidades, capacidades e virtudes. E é assim nos reportamos aos arquétipos: evocando de dentro de nós mesmos, qualidades por eles espelhadas.

Considerando-se que toda a criação é consciência e movimento, todas as tradições se ocupam em compreender e codificar esta complexa dança universal criando diversos sistemas dialéticos que pulsam entre si numa retroalimentação constante. Desta maneira, aqui vou escrever um texto brevíssimo tratando sobre as 4 direções e seus animais de sagrados, inspirado na sabedoria dos índios norte-americanos, sem esquecer que estas referências estão direta e intimamente interligadas a vários outros sistemas quadrilógicos integradores espalhados sobre o planeta.






LESTE – Fogo - Águia Sagrada – PRIMAVERA -  casa da verdade - 6 horas

Esta é a Direção regida pela Águia, associada ao Caminho do Visionário – da Verdade.  
Este animal é o único que consegue voar na direção do sol sem precisar piscar os olhos. Consequentemente, ele consegue voar altíssimo sem refutar a intensa luminosidade que cega ou ofusca a maioria das pessoas.

Aqui o aprendizado é do uso da visão para desenvolver o foco, a concentração e o necessário desapego daquilo que precisa ser mudado. O convite é para a responsabilidade da ação assertiva, do ato de criação que vai dirigir o tipo de futuro que queremos para nossa alma. É a preparação para a morte, no sentido de olhar de frente o que precisa acabar para que outro aspecto possa ser estabelecido. É o portal da quebra de paradigmas. Olhar de frente para o Sol dos dias e VER o que precisa ser visto. Nesta direção, o andante identifica sua verdadeira origem, reconhece quem, realmente, é e qual a sua verdade. Se há claridade, então todas as sombras são dissipadas e há um convite urgente à ação.


SUL – Terra – Coiote – VERÃO - casa da inocência – meio dia

No Sul mora o Coiote, o divino trapaceiro, o coringa e sua capacidade de dar o primeiro passo, de acreditar que vai dar certo. O trabalho a ser desenvolvido nesta Direção é livrar-se do passado e seguir em frente num ato de poder e liberdade. Esta casa nos convida à alegria e à coragem para correr riscos mas nunca ficarmos parados.
É neste horário que nossa própria sombra fica do menor tamanho e podemos pisar sobre ela. Aqui o convite é para conexão com movimento, gratidão, amor, simplicidade e encantamento.

Fé é a palavra mágica que abre este portal. Com ela, entrega, serviço, humildade, troca, intercâmbio, mudança, proteção, auto-confiança e renascimento. É a casa da energia e do vigor físico.

Muitos adultos acabam matando sua criança interior. Este é um equívoco estrutural, pois o adulto saudável deve manter seu contato com a criança coiote que sempre lhe levará aos recomeços. A morte desta criança interior instala o medo, o ressentimento e a raiva que aprisiona as ações e os avanços na vida. O perfil deste adulto é materialista, supérfluo sem alegria para viver. Torna-se encarquilhado e envelhecido na alma, muitas vezes morto-vivo aprisionado em memórias que deveriam ter sido entregues ao fogo do leste.


OESTE – Água – Urso – OUTONO -  casa do silêncio – 18 horas

O entardecer nos convida a olhar para o dia que se despede e nos darmos conta do que fizemos. Esta é a casa do recolhimento, a morada dos sonhos, da quietude, do silêncio interno. O Oeste é o útero, o vaso, o vazio. Nele tudo habita. Aqui ultrapassamos o medo da morte – nos tornamos íntimos dela para preparar o renascimento de um novo dia.

Os ursos vivem alguns meses recolhidos hibernando e só quando chega a primavera eles voltam ao ambiente externo. Como Perséfone e tantos outros mitos de morte e vida, a busca é da síntese do dia, do seu conteúdo essencial e não apenas da aparência do que aconteceu.  Não mais transformar nem transmutar. A caverna exige a transcender. A introspecção e a interiorização são os processos de aprendizado utilizados ao trilhar esta Direção. Paciência, calma, contemplação e solitude para que a visão possa clarear.
Acessar as respostas internas que somente através do silêncio são possíveis de ouvir.

O oeste convida a estar integralmente presente no aqui e agora.


NORTE – Ar - Búfalo Branco – INVERNO – casa do respeito – meia noite

Esta é a direção dos Mestres que entendem o trânsito entre o céu e a terra – os ancestrais. Portal de reverência e respeito a tudo que já nos aconteceu. Esta experiência
nos remeterá a busca do equilíbrio, da alta intuição e da cordialidade. Aqui será aprendido o valor real das palavras e o momento certo de pronunciá-las. Importante falar e importante ouvir. Assim os sábios reúnem pessoas a seu redor para compartilhar experiências.

Os ensinamentos desta direção invocam a clareza de pensamento e persistência para enfrentar os invernos e as noites onde parece que o sol nunca mais vai chegar. Aqui testemunhamos o caminho das mudanças, dos fins e recomeços.