quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

VÍNCULO ATRAVÉS DOS TEMPOS




VÍNCULO ATRAVÉS DOS TEMPOS
Rolando Toro



A forma como os indivíduos se vinculam com seus semelhantes tem mudado através da história. Originalmente as formas de vínculo eram solidárias e orgânicas. O instinto de vínculo intra-espécie e a necessidade de sobrevivência conduziam naturalmente a convivência.

O vínculo entre homem e mulher era complementário e não autoritário. As relações com a natureza e o cuidado das crianças davam à mulher um lugar especial na comunidade. A cura, os alimentos, os ritos de fertilidade e reconexão eram preferencialmente femininos. A casa, a proteção do território e o fabrico de ferramentas era tarefa dos homens.

Com o Patriarcalismo surgiu o autoritarismo e o machismo.

A evolução das relações humanas entrou em um processo de decadência através dos séculos.

O Panteísmo, que se manifestava no vínculo cósmico com as divindades vindas da natureza, passou a ser rechaçado pelas religiões com deuses antropomórficos. O medo dos deuses “terríveis” conduziu à crença de que era necessário acalmá-los mediante sacrifícios e sofrimentos. Esta estrutura religiosa se conserva até nossos dias.


Escala de vínculo – natureza das mudanças.

 Individualismo -  indivíduo como átomo social.  Esta  idéia se relaciona com o liberalismo econômico, em que existe liberdade para desenvolver a existência com independência do resto do mundo. Esta forma de vínculo individualista é a mais comum. Suas consequências são a agressividade, a solidão, a injustiça e o sofrimento que abarca milhões de seres humanos. Individualismo e autoritarismo seguem juntos. Os seres humanos são descartáveis.
2.        
     Personalismo – o personalismo consiste na capacidade de certos seres humanos de fazer ressoar sua voz através da máscara – persona. Os atores gregos faziam ressoar sua voz através de uma máscara durante a apresentação da tragédia. No personalismo surge a condição protagônica de um indivíduo que se faz ouvir por suas características pessoais ou sua capacidade de representar uma personagem.

3.       Prioridade do encontro e do diálogo – (Bubber, Paulo Freire, Pichon) Este é um importante passo na evolução do vínculo. Aqui, o ser humano é reconhecido como um “ser relacional”. Aqui existe o diálogo afetivo, o juízo crítico e a prática de uma educação para a liberdade e para a justiça social A teoria do diálogo se orienta principalmente pela comunicação verbal afetiva e solidária.  A ciência tem descrito atualmente outras linguagens silenciosas como o diálogo das carícias, o diálogo psicotônico e o diálogo gestual e do olhar. É possível comprovar a influência dessas formas de diálogo no sistema  hormonal e imunológico. O abraço e as carícias são as formas dialógicas nutracêuticas – nutritivas e terapêuticas.

4.       Expressão da identidade com o outro – (Piaget) Aqui, a identidade só se revela na presença de outra pessoa. O outro é um fator do ambiente ecológico enriquecido em que a convivência estimula a expressão da identidade. Em Biodança se estimula o vínculo inter-humano em seus múltiplos aspectos e se aprende a qualificar o outro, valorizando-o afetivamente e celebrando-o com amor. Aqui, o ser humano passa a ser necessário ao outro.

5.       Empatia – capacidade de perceber e compreender diretamente os estados mentais e comportamento da outra pessoa. É colocar-se no lugar do outro. O outro é, de fato, um semelhante. Este é um fenômeno de expansão da consciência e uma forma de vínculo evolucionária.


6.       Epifania do encontro – Levinas revela que a mais elevada forma de vínculo é o “olhar nos olhos”. Aí reside o êxtase da fusão com o outro. Trata-se de chegar a ser um com o outro. Aqui, a relação perde a assimetria da Empatia. É um vínculo recíproco com o “outro-infinito”, com o diferente a quem não se conhece totalmente. O outro se hospeda e é hospedado reciprocamente através do enfrentamento, cara a cara. É a aproximação absoluta num mundo privado de intimidade com o diferente. Através do olhar ambos alcançam a união com o sagrado num ato de epifania e êxtase.

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