terça-feira, 19 de julho de 2016

QUANDO OS BRAÇOS ADOECEM...

QUANDO OS BRAÇOS ADOECEM...





Os braços são os espaços de mediação entre o mundo interno e o externo. Eles trazem o mundo externo para dentro de nós e levam nosso mundo interno para fora. Simbolizam a ambição, o trabalho, o desejo de realização profissional, a vontade e a marca pessoal que resulta na conquista dos ideais.

Toda enfermidade somatizada nos braços parece atender a um conflito resumido como:  “eu sofro, mas gosto tanto de fazê-lo...” ou “desejo muito, mas não consigo dar conta do meu desejo”... ou ainda “estou liquidada, mas faço tudo por amor”.  Suas articulações vão nos falar da maneira como lidamos com a relação entre a execução e a sustentação das nossas ações. O antebraço está diretamente relacionado à firmeza e sustentação das nossas ações. “Eu faço, eu realizo, dou conta do recado”. O braço está relacionado à garantia do que fazemos, à consistência interior e capacidade de defendermos nossa ação e protegê-la.

Quando validamos a crítica ofensiva, as chantagens, barganhas de todas as espécies e outras imposições que nos impedem de agarrarmos o que desejamos na vida, é gerado um conflito interno que, provavelmente, vai instalar-se nos braços pois, diante das interdições, eles ficam inutilizados, comprometendo nossa relação simbólica com o mundo. Sem eles, perdemos o controle. Não podemos mais agarrar a vida - ficamos incapacitados para agir. Esta é uma boa forma de desistirmos dos desejos, das ações a serem empreendidas, encontrando uma justificativa na enfermidade. Desta maneira, uma coisa alimenta a outra: adoeço porque não executo ou não sustento. Ao mesmo tempo, a doença não me permite agir.

Só os seres humanos têm mãos. Serve de arma e de utensílio. Com ela as pessoas reconhecem e modelam o que tocam. A expressividade das mãos tem papel fundamental em várias culturas e atividades humanas: na religião, no teatro, nas danças e em todas as linguagens. Com elas cumprimentamos, sagramos, juramos, encerramos e interagimos com o mundo. No âmbito da comunicação não-verbal, as mãos são tão confiáveis como a boca e significativamente mais sinceras que os conteúdos proclamados. Basta exercitar os olhos para escutarem.

Se cada articulação do corpo humano nos sugere um espaço de conexão com o vazio, podemos imaginar que este segmento: braços e mãos, responsáveis pelo abraço ou limite que damos ao mundo, repletos de articulações e de vazios, nos sugerem um mergulho profundo em nossas escolhas.

Todas as enfermidades alojadas nos braços e nas mãos devem nos levar a refletir sobre nossa relação com as conquistas e nossa capacidade de sustentação, nossa potência para abrir caminhos.

A resistência a mudanças e movimentos causada por dúvidas quanto à posição a ser tomada, gera articulações rígidas ou inflamadas, simbolizando rejeição pelas coisas novas, dificuldades em abrir mão, em relativizar perdas ou ganhos ou, simplesmente, que a pessoa não consegue acreditar que o novo será bom.

Algumas pessoas têm ligaduras com a vida tão duras que desenvolvem uma couraça de escamas nos cotovelos. A psoríase tem aqui um de seus lugares de aparição mais frequente. Não é raro que ela comece a partir desse lugar. As superfícies endurecidas são uma espécie de cotoveleiraportadora de conflitos. É próprio, também, de pessoas muito exigidas que teimam em satisfazer as expectativas dos outros e perdem a dimensão entre o que desejam e o que conseguem sustentar. Um corpo com psoríase informa que a pessoa está precisando aprender a se defender colocando-se para fora, ex-pressando-se. A couraça somatizada isola o indivíduo quando, tudo que ele precisa, é estar em contato com outros para aumentar sua segurança diante da vida.  


Desta mesma forma, todas as inflamações desta região vão nos falar de um esforço excessivo e da contradição entre polaridades, um conflito entre capaciaddes (eu realizo + eu garanto). Assim, algo que poderia ser relaxante ou agradável, é percebido de tal forma e tensionado de tal maneira que torna-se tenso e desgastante. Arde e consome a si mesmo.
Algumas outras enfermidades (como a artrose, por exemplo), vão sugerir um olhar sobre os apegos e a paralisia diante de mudanças. Neste caso, a ação é substituída por dor.


Na Biodança, os exercícios de fluidez, abertura de espaços, colocação de limites, contato e carícia, eutonia, segmentares e vários outros, estão a serviço da revitalização dos braços e mãos, buscando integrá-los e harmonizar a capacidade de tocar/agarrar a vida, sustentando e validando os desejos que os moveram.

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