sábado, 9 de abril de 2016

ENTREGANDO A CABEÇA





Existe algo que nos assusta: perder a cabeça. Desatinar, desconectar dos limites, praticar atos indesejáveis possíveis de posterior arrependimento.

Existe algo que nos assusta mais ainda: entregar a cabeça. Deixar que alguém cuide dela, não comandar, perder-se nas mãos do outro, abandonar-se.

Manter a cabeça no lugar é premissa que sugere equilíbrio mas, sem o necessário dinamismo, esta crença pode se converter em um colapso. Geralmente a tensão cotidiana gera forte bloqueio da musculatura dos ombros para sustentar o excesso de peso da nossa cabeça, muito eficiente em pensar e achar que, sozinha, vai conseguir controlar tudo. Com o tempo, vamos nos acostumando às dores de cabeça, aos ombros enrijecidos, aos “bolos” na garganta, dificuldades para chorar, para gritar, tosse nervosa e acabamos arranjando boas desculpas para viver assim.

Esta armadura é resistente, difícil de ser acessada. O pescoço e a cabeça trazem ao mundo a forma como a pessoa aparece (submissa? Agressiva? Medrosa?) e como utiliza seus sentidos para apreender a realidade.  Ela também colapsa parte da musculatura responsável pela fala, levando o indivíduo a dificuldades na expressão verbal  contendo choros, gritos e “nãos” importantes de serem ditos. Portanto, fazer contato com estes aspectos e desconstruí-los vai demandar uma boa dose de coragem.
Em Biodança, os exercícios que enfatizam o segmento cervical convidam auxiliam a dissolução da tensão existente neste local permitindo o livre fluir da energia vitral, do prazer e promovem uma experiência de religação entre o pensar, o sentir e o agir no sentido da expressão pessoal – uma verdadeira contra mão nos nossos dias atuais.

A importante vinculação entre os participantes de um grupo de Biodança garante o núcleo afetivo essencial para que os participantes estejam seguros e possam arriscar-se em territórios do si mesmo, muitas vezes, inexplorados. Quando acompanhados, estes exercícios ganham o conforto da presença de um outro semelhante, o que nos garante acolhimento e encoraja aos necessários enfrentamentos. Desta forma, dissolvendo (e não rompendo), os anéis de tensão começam a ceder e a dar espaço para que uma nova integração aconteça.

A consequência desse distensionamento é uma tradução da realidade e qualidade de expressão mais livre e integrada, contribuindo para uma saúde qualificada e o reposicionamento do indivíduo no meio onde vive, realinhando sua postura existencial.


Em Biodança trabalhamos com a porção saudável das pessoas, buscando otimizar suas qualidades e seus potenciais adormecidos. Elevando a conexão com o prazer, promovemos vivências cujos efeitos vão equilibrar aspectos enfermos resultantes do estilo de viver que os participantes costumam praticar. Isto vai levar, sem dúvidas, a uma revisão nesses padrões, elevando a tão conhecida qualidade de vida ao status de uma vida de qualidade.  

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