segunda-feira, 14 de março de 2016

O CÍRCULO VICIOSO DA DÚVIDA E O BAMBU CHINÊS








A cada dia nos deparamos com uma enorme exigência psicofísica para nos mantermos de pé tanto no sentido estrito quanto no figurado. Vinda de todos os lados, uma pressão gigantesca sinaliza que há um risco no ar e, dentro de nós, o medo, a raiva e a culpa, sentimentos “primos entre si”, iniciam uma roda que promete não parar de girar tão cedo! Trago, então, uma reflexão sobre dois símbolos: o Vestíbulo do Inferno de Dante Alighieri e as Qualidades do Bambu Chinês.

Nesse vestíbulo, habitam os Indecisos. Eles não sabem o que fazer e nem se arriscam a fazer nada. Permanecem reclamando sem servir a ninguém. Querem todos os ganhos de uma vez, principalmente o já usual “não fazer ninguém sofrer”. São os conhecidos “em cima do muro” que, em breve, por não decidirem, serão lançados no próximo círculo, o da Luxúria – onde não vão poder escolher seus prazeres. Desse último rolarão sem alternativa para o círculo da Gula, onde vão pastar o que vier pela frente... e assim por diante num processo de auto-destruição que, em breve, mudará seu foco para culpar os outros pelo seu infortúnio.

Ora, é infantil imaginarmos que nossas ações não provocarão consequências. O reino de Peter Pan só existe nos livros. Mas, de fato, neste vestíbulo estão aprisionadas muitas e muitas pessoas que sofrem dentro dele caminhando no gramado da culpa. E deste vício, felizmente ou não, cada um só pode sair com suas próprias pernas. Assim, imersos na força que mantém este movimento, tontos, é necessária uma boa dose de coragem para romper o sentido infinito e iniciar um novo caminho. Arriscar-se.

Entendo que, encontrando o poro de saída, uma ante-sala aguarda a chegada aos caminhos abertos. Nela, crescendo a partir do chão, um enorme tufo de bambus se projeta para além de um teto que não existe. Aí, neste momento, à beira de trilhar novas estradas, vale lembrar que esta maravilhosa planta leva cinco anos para estruturar suas raízes brotando subterraneamente e, só depois, ela brota. Todo o processo é invisível já que nosso olhar não consegue adentrar a terra. Mas lá está ele se fortalecendo, até romper! Tendo rompido, apoiado em fartos alicerces, no bambu vai crescer até 25 metros de altura.

São sete as verdades do Bambu:

Humildade – ele só permanece de pé porque sabe se curvar diante das tempestades.

Profundidade das raízes

Sentido gregário – ele cresce ao lado dos outros

Desapego – o bambu não cria galhos que possam embaraçá-lo em nada

Respeito – os nós do bambu representam as marcas das adversidades

Vazio – o oco, o vazio de si é de fundamental importância para ouvir a verdadeira voz inetrna e saber para onde ir.

Consciência da direção – ele só cresce para o alto, na direção do sol.

Acho importante que possamos lembrar que nossa coluna vertebral guarda alguma semelhança com o bambu e um dos maiores pavores que podemos ter é de que ela venha a enrijecer.

"É preciso muita fibra para chegar às alturas e, ao mesmo tempo,
muita flexibilidade para se curvar ao chão”.
Nada como podermos dançar livres de círculos que nos aprisionem, antes que os anjos do céu não saibam o que fazer conosco (parafraseando Santo Agostinho).

Em tempos de dúvida, melhor decidir. Inclusive porque, mais adiante, você pode decidir novamente. Sem parar de dançar!

Hilda Nascimento

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