quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

TEATRO E BIODANÇA  
... de dentro pra fora e de fora pra dentro



Todos nós somos capazes de sentir, pensar e agir de formas infinitamente mais variadas do que aquelas que usamos no nosso dia a dia. Dentro de nós existem elementos constitutivos da nossa identidade que trazem, às vezes, qualidades que nós nem imaginamos possuir, desde as mais luminosas até as mais sombrias.

Quando uma pessoa pratica um exercício teatral, às vezes percebe-se surpresa com sentimentos que nunca havia experimentado, prazeres desconhecidos e desejos muitas vezes reprováveis. E acaba por perceber que agimos a partir das nossas escolhas conscientes e não porque não podemos executar atos condenáveis. Uma pessoa pode descobrir que sente prazer em trancar alguém  num quarto escuro, mas escolhe não fazê-lo porque seus mecanismos de interdição lhe informam que isto fará mal ao outro, o que impede este comportamento.

Augusto Boal comenta que “o homem deve inventar-se a si próprio dentro de uma infinidade de possibilidades e não, pelo contrário, aceitar passivamente o seu papel porque não pode ser diferente”. E isto, até onde percebo, é uma reflexão sobre a vida – e não especificamente sobre a arte teatral. E ele diz mais:

“Nada do que é humano é alheio seja a que for. Todos somos, potencialmente, bons e maus, carinhosos e duros, mulherengos e homossexuais, covardes e corajosos, etc. Somos o que escolhemos ser. Os fascistas são condenáveis, não por serem capazes de fazer com que o povo morra de fome para que eles se encham de dinheiro, mas porque escolheram  fazê-lo.”

O grande valor da experiência teatral , na minha opinião, vem da chance do indivíduo perceber-se como um prisma de inúmeras possibilidades. Esta arte abre caminhos para experimentar espaços impenetráveis do ser humano, geralmente particularizados, muitas vezes trancados sob censuras e medos de condenações. Os exercícios despertam uma crisálida interna de emoções, uma aquarela de nuances infinitas no ato total de conhecer as paixões humanas. Grotowsky fala, em sua teoria, dessa importância fundamental do ator invstigar-se a si mesmo para tornar-se um criador. Nessa busca, ele caminha para dissolver os colapsos da identidade que impedem o afloramento da sua verdade pessoal.

Ao lado dessa  experiência, colocamos a Biodança como prática de sustentação da identidade. Ela trabalha no sentido de manter íntegro o eixo  estrutural do indivíduo para que ele não se perca no trânsito entre as descobertas do teatro ou não acumule pequenas lesões na psique que, ao longo do tempo, podem resultar em danos difíceis de reverter.  A Biodança com seu tripé de ação: música/movimento/emoção , oportuniza a expressão daquilo que está sendo sentido para que a pessoa possa observar-se melhor e reconhecer-se todo tempo.

Combinar Teatro com Biodança resulta numa potencialização de ambas as teorias. A Biodança dá ao indivíduo a abertura para conhecer a si mesmo e o Teatro lhe oferece ferramentas para comunicar-se autentica e ricamente com o mundo.  E ambas são teorias de encontro humano. Só triunfam quando validam a presença do outro na realidade instantânea do aqui e agora. Ambas são práticas fisiológicas que necessitam do contato humano para acontecer.


No Biocentrum trabalhamos com Teatro e Biodança com indivíduos entre 11 e 14 anos.

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