terça-feira, 19 de julho de 2016

QUANDO OS BRAÇOS ADOECEM...

QUANDO OS BRAÇOS ADOECEM...





Os braços são os espaços de mediação entre o mundo interno e o externo. Eles trazem o mundo externo para dentro de nós e levam nosso mundo interno para fora. Simbolizam a ambição, o trabalho, o desejo de realização profissional, a vontade e a marca pessoal que resulta na conquista dos ideais.

Toda enfermidade somatizada nos braços parece atender a um conflito resumido como:  “eu sofro, mas gosto tanto de fazê-lo...” ou “desejo muito, mas não consigo dar conta do meu desejo”... ou ainda “estou liquidada, mas faço tudo por amor”.  Suas articulações vão nos falar da maneira como lidamos com a relação entre a execução e a sustentação das nossas ações. O antebraço está diretamente relacionado à firmeza e sustentação das nossas ações. “Eu faço, eu realizo, dou conta do recado”. O braço está relacionado à garantia do que fazemos, à consistência interior e capacidade de defendermos nossa ação e protegê-la.

Quando validamos a crítica ofensiva, as chantagens, barganhas de todas as espécies e outras imposições que nos impedem de agarrarmos o que desejamos na vida, é gerado um conflito interno que, provavelmente, vai instalar-se nos braços pois, diante das interdições, eles ficam inutilizados, comprometendo nossa relação simbólica com o mundo. Sem eles, perdemos o controle. Não podemos mais agarrar a vida - ficamos incapacitados para agir. Esta é uma boa forma de desistirmos dos desejos, das ações a serem empreendidas, encontrando uma justificativa na enfermidade. Desta maneira, uma coisa alimenta a outra: adoeço porque não executo ou não sustento. Ao mesmo tempo, a doença não me permite agir.

Só os seres humanos têm mãos. Serve de arma e de utensílio. Com ela as pessoas reconhecem e modelam o que tocam. A expressividade das mãos tem papel fundamental em várias culturas e atividades humanas: na religião, no teatro, nas danças e em todas as linguagens. Com elas cumprimentamos, sagramos, juramos, encerramos e interagimos com o mundo. No âmbito da comunicação não-verbal, as mãos são tão confiáveis como a boca e significativamente mais sinceras que os conteúdos proclamados. Basta exercitar os olhos para escutarem.

Se cada articulação do corpo humano nos sugere um espaço de conexão com o vazio, podemos imaginar que este segmento: braços e mãos, responsáveis pelo abraço ou limite que damos ao mundo, repletos de articulações e de vazios, nos sugerem um mergulho profundo em nossas escolhas.

Todas as enfermidades alojadas nos braços e nas mãos devem nos levar a refletir sobre nossa relação com as conquistas e nossa capacidade de sustentação, nossa potência para abrir caminhos.

A resistência a mudanças e movimentos causada por dúvidas quanto à posição a ser tomada, gera articulações rígidas ou inflamadas, simbolizando rejeição pelas coisas novas, dificuldades em abrir mão, em relativizar perdas ou ganhos ou, simplesmente, que a pessoa não consegue acreditar que o novo será bom.

Algumas pessoas têm ligaduras com a vida tão duras que desenvolvem uma couraça de escamas nos cotovelos. A psoríase tem aqui um de seus lugares de aparição mais frequente. Não é raro que ela comece a partir desse lugar. As superfícies endurecidas são uma espécie de cotoveleiraportadora de conflitos. É próprio, também, de pessoas muito exigidas que teimam em satisfazer as expectativas dos outros e perdem a dimensão entre o que desejam e o que conseguem sustentar. Um corpo com psoríase informa que a pessoa está precisando aprender a se defender colocando-se para fora, ex-pressando-se. A couraça somatizada isola o indivíduo quando, tudo que ele precisa, é estar em contato com outros para aumentar sua segurança diante da vida.  


Desta mesma forma, todas as inflamações desta região vão nos falar de um esforço excessivo e da contradição entre polaridades, um conflito entre capaciaddes (eu realizo + eu garanto). Assim, algo que poderia ser relaxante ou agradável, é percebido de tal forma e tensionado de tal maneira que torna-se tenso e desgastante. Arde e consome a si mesmo.
Algumas outras enfermidades (como a artrose, por exemplo), vão sugerir um olhar sobre os apegos e a paralisia diante de mudanças. Neste caso, a ação é substituída por dor.


Na Biodança, os exercícios de fluidez, abertura de espaços, colocação de limites, contato e carícia, eutonia, segmentares e vários outros, estão a serviço da revitalização dos braços e mãos, buscando integrá-los e harmonizar a capacidade de tocar/agarrar a vida, sustentando e validando os desejos que os moveram.

Conheça uma sessão de Biodança. Faça contato - marque uma visita.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

BRUXISMO? NEURALGIA? AGRESSIVIDADE REPRIMIDA?



BRUXISMO? NEURALGIA?

CONSIDERAÇÕES SOBRE A ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR




Todos nós convivemos com nosso corpo sem, na maioria das vezes, sequer percebermos que ele está ali vivo, sentindo e nos informando elementos importantes a serem considerados. Você que está lendo pode observar agora, neste instante como, por exemplo, a planta de seu pé está aí e nem ao menos havia sido percebida até que seu cérebro se concentrasse nela. Portanto, também podemos imaginar que, caso haja alguma informação a nos ser transmitida, ela precisa incomodar ou até doer. Enquanto estivermos lidando com um cisco no olho ou um espinho no dedo, poderemos resolver com simplicidade esta prática de ausência sensível do nosso próprio corpo, essa ausência que privilegia o cérebro.  A questão complica quando as informações são sutis, não as percebemos e, muitas vezes, tomamos caminhos equivocados para sua solução.

Neste momento vou construir algumas considerações sobre a ATM – articulação temporomandibular, a partir da última sessão de Biodança que realizamos no Grupo Primavera nos Dentes .

Esta articulação, com o nome enorme e talvez complicado, é muito nossa conhecida. Ela está ali, onde nossa mandíbula termina e se une ao nosso crânio. Justamente ali onde temos um “parafuso imaginário” que junta as duas estruturas ósseas. Ela  tem a função de controlar a mastigação e, o que na maioria das vezes não sabemos,  está associada à maneira como dosamos e articulamos nossa agressividade. Seus movimentos (abrir, fechar e balançar)são controlados por três músculos: o masseter, o pterigoide e o temporal. Importante saber que os músculos estão no nosso corpo com a função de transformar energia em movimento. Ora, se eles recebem uma carga informando que precisa ser descarregada e não o fazem, onde irá parar esta energia represada?

A partir de agora, divagarei sobre a metafísica desta articulação.

Pesquisadores como Alexander Lowen,  Stanley Keleman, Rudiger Dalke, Evaristo de Miranda, Jean Yves Leloup entre outros, comparam nossa boca a um castelo, a uma fortaleza onde está guardado nosso arsenal de guerra - nossos dentes. A ideia de arsenal pode começar a ser concebida a partir da observação do esmalte dentário que é o material mais resistente e tecido mais mineralizado do corpo humano. O primeiro que é constituído com este perfil, quando ainda somos um feto em formação e o último que desaparece depois que morremos. Portanto, um símbolo de resistência. Os dentes representam a disposição para defender nosso ponto de vista e enfrentar as situações da vida. O termo "agarrar com unhas e dentes" demonstra a disposição em usar a vitalidade, força e agressividade para conseguir um intento, para realizar a própria escolha.  A grande consistência da dentina e do esmalte do dente é um referencial orgânico de firmeza e força que nos impulsiona a agir com garra e determinação.

Alguem consegue imaginar que existem pessoas que travam seu maxilar de tal forma que não conseguem abrir a boca quando tentam relaxar? O que isto poderia significar? Os estudiosos nos levam a pensar que, em casos assim,  podemos avaliar a proporção da raiva reprimida, chegando ao ponto de não permitir o uso dos dentes (reais ou simbólicos) num processo imprescindível à vida. Outras pessoas, ao contrário,  deslocam o maxilar com muita facilidade. Podemos imaginar que estes casos nos falam de tanta raiva reprimida que implica na perda do tônus necessário levando a este controle? Sim, porque o mérito da chamada adptação social implica na repressão aos instintos.  A repressão não é um acordo. É uma interdição diretamente ligada à culpa. Para a maioria das pessoas, a palavra agressividade é assustadora e se confunde com violência. A meritocracia do “bom moço” suprime a expressão saudável da agressividade e o grande perigo reside no risco do seu retorno na forma de uma enfermidade que acabará afetando a comunidade que o individuo tentou preservar. Isto porque, se existe um estímulo enviado a um músculo e um comando inverso inibe a sua expressão, é preciso pensar o que será feito com a carga de energia disponibilizada para um movimento que não aconteceu. Assim, se o desejo primitivo de “morder” não encontrou como se expressar, podemos imaginar que a ATM tenderá a travar-se como uma forma de conter o impulso que precisa ser sustado, ou poderá negar sua tensão, tornando-se hipotônica e inútil.

A doença é um campo de batalha onde a pessoa se encontra com um sintoma e entra em luta com ele, já que não pôde fazer frente à questão originária e expressar sua agressividade. Quando nos referimos a esta articulação, duas enfermidades são nossas principais conhecidas: o Bruxismo e a Neuralgia do Trigêmeo.

O Bruxismo é o famoso  ranger dos dentes, sinônimo reconhecido de agressividade impotente. É um !comer a si mesmo”.  Nele, a pessoa que durante o dia não pode ceder ao desejo de morder ou “rasgar nos dentes”, range os dentes durante a noite quando o sono aparece para livrá-la da ação consciente em seu próprio corpo. Em alguns casos, o Bruxismo manifesta-se diuturnamente, sem que a pessoa possa controlar ou dê-se conta. Entre outras consequências, o ato de ranger os dentes desgasta-os até que percam sua função original: rasgar, furar e triturar.

Além disto, provoca tensões desnecessárias na ATM, gerando desgastes ósseos assustadores que destroem os dentes, cartilaginosos, stress muscular, que podem derivar em Neuralgia – uma patologia do nervo trigêmeo.

O trigêmeo é um nervo triplo responsável pela expressão de delicadas sensações através do rosto. Durante uma crise de neuralgia, as pessoas dão a impressão de querer uivar, gritar e vociferar ao mesmo tempo, como se estivessem prestes a ter um ataque de fúria ou algum outro tipo de ataque aterrorizante. É, ao pé da letra, a perda de controle a partir de uma dor (considerada amais forte do mundo). A pessoa afetada pela neuralgia do trigêmeo sente-se golpeada, e a situação em que se encontra é de fato a de alguém que está sendo esbofeteado pelo destino. Golpes contidos por uma vida reprimida terminam por golpear a própria pessoa em algum momento. Quem sempre se contém e mantém a mesma aparência, deve contar com que a situação se volte contra ela e provoque contragolpes. Este será o preço a pelo mérito do “bonzinho” que resultou de um acordo forçado, muitas vezes premiado.

“O fato de que a chamada forma essencial do sintoma afete com maior freqüência mulheres com mais de 50 anos de idade ajusta-se bem a essa imagem. Em uma sociedade de resultados dominada pelos homens, é mais difícil para as mulheres mostrarem seu verdadeiro rosto e distribuir as agressões que elas realmente não podem engolir. Com medo de serem elas próprias engolidas ou serem postas de lado, elas tendem ao keep-smiling até mesmo nas situações em que internamente têm vontade de urrar. Com a idade mais avançada, quando a pressão se torna insuportável elas, em vez de ter ataques externos de fúria, têm ataques internos de dor que só muito raramente chegam a ser visíveis.” Rudiger Dahlke


Socialmente a prescrição social para a agressividade é muito mais agressiva que ela mesma. Tudo propõe que ela seja colocada para dentro, numa forma macabra de proteger o meio ambiente, como se a pessoa enraivecida não fosse, ela mesma, parte desse ambiente. A medicina apresenta os analgésicos e psicofármacos. Estes últimos restringem a psique que torna-se ainda mais restringida. A  ideia é que a pessoa não chame a atenção para que ninguém fique escandalizado. Enquanto isto, o ser essencial se recolhe e o que resta é uma metáfora do si mesmo, perfeita e pronta para um convívio vazio e estéril. Enquanto isto, cirurgias e obliterações podem aparecer como propostas para resolver a dor. A pergunta é: e a causa?

A maioria das enfermidades conhecidas pelo ser humano nasce da repressão aos instintos, sendo os principais: a agressividade (luta/fuga) e sexualidade. Com isto não defendo a ideia de sairmos pela rua batendo em quem desejarmos e, muito menos, arrastando para o sexo quem não o consinta. Mas não acredito que respeito e o conhecimento de si mesmo aconteça pela dor. Para mim, o que se alcança nesta barganha é o convívio com a raiva e o medo. Ao invés de reprimir nossa agressividade e nossos sentimentos “sombrios”, precisamos experimentá-los. Só assim será possível integrar conscientemente tais aspectos como partes da nossa identidade saudável. A agressividade reprimida apenas serve para alimentar a sombra com a qual teremos de lidar mais tarde quando ela se apresentar sob a forma pervertida de doença. A agressividade integrada é energia e vitalidade a serviço da identidade sem riscos de mansidão inerte ou explosão desmedida.

A Biodança autoriza o contato com destas pulsões instintivas propondo danças yang, danças de conexão com animais sagrados que expressem sua agressividade enquanto energia vital e sustenta um campo de liberdade para que as pessoas possam integrar suas qualidades no sentido de viver bem numa comunidade plural, descobrindo o tônus certo para poder estar junto com o outro, tão necessário à saúde da sua identidade.


quarta-feira, 4 de maio de 2016

O QUE A BIODANÇA TEM A VER COM A SÍNDROME DO PÂNICO?


O QUE A BIODANÇA TEM A VER COM A
SÍNDROME DO PÂNICO?




A Síndrome do Pânico tornou-se uma habitual frequentadora dos nossos dias, seja nas conversas, nas notícias que recebemos dos conhecidos ou, até mesmo, visitando nosso próprio corpo.

As crises são súbitas, trazendo forte sensação de medo, de perigo iminente, o que gera na pessoa a ideia de que ela vai sofrer algo grave, desconhecido, vai ficar louca ou morrer. O corpo entra em estado de alerta e a reação pode ser de busca de socorro imediato ou até mesmo de isolamento, agitação, choro e outras sintomatizações diversas, todas desagradáveis. As pessoas relatam um mal estar na cabeça como se fossem perder a razão e um “pressentimento” de que algo muito ruim vai acontecer. A tudo isto pode se somar palpitações, falta de ar, parestesia, pressão nos ouvidos, ondas de calor ou frio, enjôo, tontura... enfim: é um terrível mal estar generalizado resultante de um fator aparentemente inexistente.

A recorrência desses sintomas e a pouca compreensão das pessoas ao redor dificulta a consciência e o enfrentamento da doença, o encaminhamento ao tratamento e favorece a desvinculação da pessoa com fatores ligados a sua própria saúde. É comum o portador da síndrome ouvir expressões como: “reaja!”, “isso é frescura...”, “pára de chilique”, "esta não é você", “você tem medo do quê?” .  Reações assim não ajudam em nada. 

É muito importante que a pessoa busque perceber o que está sentindo e, especialmente, o elemento deflagrador de cada crise para construir, passo a passo, uma consciência fortalecida e construtiva para superação do medo. Para isto, ela vai precisar entender como seus próprios pensamentos alteram seu metabolismo e entrar em contato com sua inteligência emocional. Sim. O funcionamento químico do cérebro é diretamente influenciado pelo que sentimos e pensamos. Então será importante refletir sobre o maior ou menor valor que a pessoa atribui aos aspectos da sua vida e como isto está se convertendo em sintomas no seu corpo.

Como a Biodança atua neste processo? Como ela pode ser benéfica?
As sessões de Biodança são estimulantes da produção de um neurotransmissor muito importante chamado serotonina, responsável pela sensação de bem estar e saciedade. A supressão desta substância (o que acontece em situações de medo extremo) altera o funcionamento do organismo e provoca tristeza, falta de ar e confusão de pensamentos. Os exercícios levam a estruturação profunda da identidade visitando espaços internos obscurecidos pelo medo, por traumas, por memórias tóxicas, abrindo espaços para que o indivíduo possa olhar para o que sente num ambiente seguro, re-significando seus movimentos na vida, adquirindo nova saúde.
Dançar, assim como outras atividades que colocam o corpo em movimento, é uma atividade que leva o organismo a buscar seu equilíbrio. No que se refere à Biodança, ela proporciona vivências integradoras em grupo, com o estabelecimento cuidadoso de vínculos que fazem a diferença em situações como as da Síndrome do Pânico.
Isto não exclui a visita ao médico e o acompanhamento, se necessário for, com interação medicamentosa.

sábado, 9 de abril de 2016

ENTREGANDO A CABEÇA





Existe algo que nos assusta: perder a cabeça. Desatinar, desconectar dos limites, praticar atos indesejáveis possíveis de posterior arrependimento.

Existe algo que nos assusta mais ainda: entregar a cabeça. Deixar que alguém cuide dela, não comandar, perder-se nas mãos do outro, abandonar-se.

Manter a cabeça no lugar é premissa que sugere equilíbrio mas, sem o necessário dinamismo, esta crença pode se converter em um colapso. Geralmente a tensão cotidiana gera forte bloqueio da musculatura dos ombros para sustentar o excesso de peso da nossa cabeça, muito eficiente em pensar e achar que, sozinha, vai conseguir controlar tudo. Com o tempo, vamos nos acostumando às dores de cabeça, aos ombros enrijecidos, aos “bolos” na garganta, dificuldades para chorar, para gritar, tosse nervosa e acabamos arranjando boas desculpas para viver assim.

Esta armadura é resistente, difícil de ser acessada. O pescoço e a cabeça trazem ao mundo a forma como a pessoa aparece (submissa? Agressiva? Medrosa?) e como utiliza seus sentidos para apreender a realidade.  Ela também colapsa parte da musculatura responsável pela fala, levando o indivíduo a dificuldades na expressão verbal  contendo choros, gritos e “nãos” importantes de serem ditos. Portanto, fazer contato com estes aspectos e desconstruí-los vai demandar uma boa dose de coragem.
Em Biodança, os exercícios que enfatizam o segmento cervical convidam auxiliam a dissolução da tensão existente neste local permitindo o livre fluir da energia vitral, do prazer e promovem uma experiência de religação entre o pensar, o sentir e o agir no sentido da expressão pessoal – uma verdadeira contra mão nos nossos dias atuais.

A importante vinculação entre os participantes de um grupo de Biodança garante o núcleo afetivo essencial para que os participantes estejam seguros e possam arriscar-se em territórios do si mesmo, muitas vezes, inexplorados. Quando acompanhados, estes exercícios ganham o conforto da presença de um outro semelhante, o que nos garante acolhimento e encoraja aos necessários enfrentamentos. Desta forma, dissolvendo (e não rompendo), os anéis de tensão começam a ceder e a dar espaço para que uma nova integração aconteça.

A consequência desse distensionamento é uma tradução da realidade e qualidade de expressão mais livre e integrada, contribuindo para uma saúde qualificada e o reposicionamento do indivíduo no meio onde vive, realinhando sua postura existencial.


Em Biodança trabalhamos com a porção saudável das pessoas, buscando otimizar suas qualidades e seus potenciais adormecidos. Elevando a conexão com o prazer, promovemos vivências cujos efeitos vão equilibrar aspectos enfermos resultantes do estilo de viver que os participantes costumam praticar. Isto vai levar, sem dúvidas, a uma revisão nesses padrões, elevando a tão conhecida qualidade de vida ao status de uma vida de qualidade.  

sábado, 19 de março de 2016

DAR E RECEBER COLO VERSÃO ADULTO



DAR E RECEBER COLO VERSÃO ADULTO

Sim. Adultos precisam de colo. E muito. E se esse colo for nutracêutico, regado a afetividade, carinho e silencio suficiente para que as batidas do coração sejam ouvidas, vai ficar muito melhor. Ele é um dos movimentos que, quando bem construído, é capaz de restaurar danos produzidos pela brusca supressão das necessidades do bebê, em nome de uma sociedade veloz e organizada por uma objetividade doentia.

O colo de qualidade facilita a dissolução de couraças, reduz a velocidade do tráfego sináptico, leva o indivíduo na direção das suas protovivências e constrói o meio necessário para a entrega de resistências. Neste âmbito vinculado, seguro e acolhedor, o ser humano pode revisitar sua matriz essencial, base da sua identidade.

Dar colo também é muito importante.  O gesto necessário implica em abrir os braços, expor o peito e oferecer-se como um útero temporário para que o outro possa desfrutar dessa dança trazendo sua entrega. É proteger, curar choros antigos e renovar a alegria para que ela dissolva dores atemporais.  É praticar o cuidado, permanecendo na prática do bem direcionado ao outro.

Se dar colo é aconchegar, receber é aconchegar-se. Como nossos antepassados mamíferos, enroscados uns próximos aos outros para minimizar o frio real, também nos aninhamos no colo para aquecer nosso frio simbólico.

Desde a infância aprendemos a não acreditar nos nossos instintos. Aprendemos, isto sim, a validar as fórmulas que vão nos fazer “perfeitos”, na assepsia de um comportamento padrão que falsamente nos garantirá que seremos aceitos no meio e na importância de vencermos o tempo. “Isto é para isto” – nos dizem.  “Consequentemente, não é para aquilo” – e balançamos nossas cabeças. A ansiedade é a tônica dos nossos dias. Se não estamos produzindo bens, algo nos parece errado. Assim, seguimos dividindo, compartimentalizando, fragmentando nossa capacidade de achar, enquanto perdemos tempo procurando lendo mapas que nos foram legados e, a partir desse raciocínio moderno e líquido, acreditamos que colo é uma perda de tempo só para crianças. Desta maneira,  bloqueamos nosso desejo de aconchego em alguém para não parecermos infantilizados ou estar perdendo tempo. 

Eis a sociedade contemporânea: fartamente tecnologizada, potencialmente infeliz. Sabemos hoje o que vai acontecer amanhã, mas não conseguimos identificar o que sentimos. Preservamos o olfato e perdemos o faro.  Aprendemos que tudo que há de mais importante reside no cérebro, encerramos nosso instinto num labirinto e lutamos todos os dias para matá-lo.


A Biodança propõe que façamos as pazes com nossos instintos e, como Picasso desenhou, possamos ser inocentes como uma criança e colocá-los no colo. Isto através de música, movimento e vivências integrativas em grupo. Dar e Receber colo é um dos exercícios dessa teoria de conhecimento humano, criada pelo chileno Rolando Toro Araneda.

segunda-feira, 14 de março de 2016

O CÍRCULO VICIOSO DA DÚVIDA E O BAMBU CHINÊS








A cada dia nos deparamos com uma enorme exigência psicofísica para nos mantermos de pé tanto no sentido estrito quanto no figurado. Vinda de todos os lados, uma pressão gigantesca sinaliza que há um risco no ar e, dentro de nós, o medo, a raiva e a culpa, sentimentos “primos entre si”, iniciam uma roda que promete não parar de girar tão cedo! Trago, então, uma reflexão sobre dois símbolos: o Vestíbulo do Inferno de Dante Alighieri e as Qualidades do Bambu Chinês.

Nesse vestíbulo, habitam os Indecisos. Eles não sabem o que fazer e nem se arriscam a fazer nada. Permanecem reclamando sem servir a ninguém. Querem todos os ganhos de uma vez, principalmente o já usual “não fazer ninguém sofrer”. São os conhecidos “em cima do muro” que, em breve, por não decidirem, serão lançados no próximo círculo, o da Luxúria – onde não vão poder escolher seus prazeres. Desse último rolarão sem alternativa para o círculo da Gula, onde vão pastar o que vier pela frente... e assim por diante num processo de auto-destruição que, em breve, mudará seu foco para culpar os outros pelo seu infortúnio.

Ora, é infantil imaginarmos que nossas ações não provocarão consequências. O reino de Peter Pan só existe nos livros. Mas, de fato, neste vestíbulo estão aprisionadas muitas e muitas pessoas que sofrem dentro dele caminhando no gramado da culpa. E deste vício, felizmente ou não, cada um só pode sair com suas próprias pernas. Assim, imersos na força que mantém este movimento, tontos, é necessária uma boa dose de coragem para romper o sentido infinito e iniciar um novo caminho. Arriscar-se.

Entendo que, encontrando o poro de saída, uma ante-sala aguarda a chegada aos caminhos abertos. Nela, crescendo a partir do chão, um enorme tufo de bambus se projeta para além de um teto que não existe. Aí, neste momento, à beira de trilhar novas estradas, vale lembrar que esta maravilhosa planta leva cinco anos para estruturar suas raízes brotando subterraneamente e, só depois, ela brota. Todo o processo é invisível já que nosso olhar não consegue adentrar a terra. Mas lá está ele se fortalecendo, até romper! Tendo rompido, apoiado em fartos alicerces, no bambu vai crescer até 25 metros de altura.

São sete as verdades do Bambu:

Humildade – ele só permanece de pé porque sabe se curvar diante das tempestades.

Profundidade das raízes

Sentido gregário – ele cresce ao lado dos outros

Desapego – o bambu não cria galhos que possam embaraçá-lo em nada

Respeito – os nós do bambu representam as marcas das adversidades

Vazio – o oco, o vazio de si é de fundamental importância para ouvir a verdadeira voz inetrna e saber para onde ir.

Consciência da direção – ele só cresce para o alto, na direção do sol.

Acho importante que possamos lembrar que nossa coluna vertebral guarda alguma semelhança com o bambu e um dos maiores pavores que podemos ter é de que ela venha a enrijecer.

"É preciso muita fibra para chegar às alturas e, ao mesmo tempo,
muita flexibilidade para se curvar ao chão”.
Nada como podermos dançar livres de círculos que nos aprisionem, antes que os anjos do céu não saibam o que fazer conosco (parafraseando Santo Agostinho).

Em tempos de dúvida, melhor decidir. Inclusive porque, mais adiante, você pode decidir novamente. Sem parar de dançar!

Hilda Nascimento

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

TEATRO E BIODANÇA  
... de dentro pra fora e de fora pra dentro



Todos nós somos capazes de sentir, pensar e agir de formas infinitamente mais variadas do que aquelas que usamos no nosso dia a dia. Dentro de nós existem elementos constitutivos da nossa identidade que trazem, às vezes, qualidades que nós nem imaginamos possuir, desde as mais luminosas até as mais sombrias.

Quando uma pessoa pratica um exercício teatral, às vezes percebe-se surpresa com sentimentos que nunca havia experimentado, prazeres desconhecidos e desejos muitas vezes reprováveis. E acaba por perceber que agimos a partir das nossas escolhas conscientes e não porque não podemos executar atos condenáveis. Uma pessoa pode descobrir que sente prazer em trancar alguém  num quarto escuro, mas escolhe não fazê-lo porque seus mecanismos de interdição lhe informam que isto fará mal ao outro, o que impede este comportamento.

Augusto Boal comenta que “o homem deve inventar-se a si próprio dentro de uma infinidade de possibilidades e não, pelo contrário, aceitar passivamente o seu papel porque não pode ser diferente”. E isto, até onde percebo, é uma reflexão sobre a vida – e não especificamente sobre a arte teatral. E ele diz mais:

“Nada do que é humano é alheio seja a que for. Todos somos, potencialmente, bons e maus, carinhosos e duros, mulherengos e homossexuais, covardes e corajosos, etc. Somos o que escolhemos ser. Os fascistas são condenáveis, não por serem capazes de fazer com que o povo morra de fome para que eles se encham de dinheiro, mas porque escolheram  fazê-lo.”

O grande valor da experiência teatral , na minha opinião, vem da chance do indivíduo perceber-se como um prisma de inúmeras possibilidades. Esta arte abre caminhos para experimentar espaços impenetráveis do ser humano, geralmente particularizados, muitas vezes trancados sob censuras e medos de condenações. Os exercícios despertam uma crisálida interna de emoções, uma aquarela de nuances infinitas no ato total de conhecer as paixões humanas. Grotowsky fala, em sua teoria, dessa importância fundamental do ator invstigar-se a si mesmo para tornar-se um criador. Nessa busca, ele caminha para dissolver os colapsos da identidade que impedem o afloramento da sua verdade pessoal.

Ao lado dessa  experiência, colocamos a Biodança como prática de sustentação da identidade. Ela trabalha no sentido de manter íntegro o eixo  estrutural do indivíduo para que ele não se perca no trânsito entre as descobertas do teatro ou não acumule pequenas lesões na psique que, ao longo do tempo, podem resultar em danos difíceis de reverter.  A Biodança com seu tripé de ação: música/movimento/emoção , oportuniza a expressão daquilo que está sendo sentido para que a pessoa possa observar-se melhor e reconhecer-se todo tempo.

Combinar Teatro com Biodança resulta numa potencialização de ambas as teorias. A Biodança dá ao indivíduo a abertura para conhecer a si mesmo e o Teatro lhe oferece ferramentas para comunicar-se autentica e ricamente com o mundo.  E ambas são teorias de encontro humano. Só triunfam quando validam a presença do outro na realidade instantânea do aqui e agora. Ambas são práticas fisiológicas que necessitam do contato humano para acontecer.


No Biocentrum trabalhamos com Teatro e Biodança com indivíduos entre 11 e 14 anos.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

JOGOS TERAPÊUTICOS

CÍRCULO MÁGICO





 
PERCURSO DE CONHECIMENTO E EXPERIMENTAÇÃO PRÁTICA DE JOGOS.
INDICADO PARA EDUCADORES, TERAPEUTAS, LÍDERES, ASSISTENTES SOCIAIS E DEMAIS PROFISSIONAIS QUE TRABALHAM COM GRUPOS.






O conceito de CÍRCULO MÁGICO foi criado por Johan Huizinga em seu livro Homo Ludens. Ele traz a ideia de uma nova realidade física e conceitual criada, estabelecida, aberta a jogadores dispostos a experimentar um espaço/tempo onde as coisas deixam de funcionar como estamos acostumados no nosso dia a dia onde esperamos, a todo momento, saber quem vai perder ou vencer em alguma situação. No CÍRCULO MÁGICO  a lógica torna-se particularizada às regras e ao objetivo do simples ato de jogar e compreender-se dentro do jogo. Ele é um espaço aberto a nova significação de fatos usando, para isto, o ato de jogar.

De volta ao cotidiano, fora do CÍRCULO MÁGICO, certamente vamos perceber a vida de uma outra perspectiva, alterada pela imersão e pelas experiências vivenciadas dentro dele. É como se enxergássemos novas maneiras de entender um tema, resolver um problema ou mesmo compreender quem somos na teia da vida.

Importante para que o CÍRCULO MÁGICO possa ser estabelecido com segurança é a criação de regras que devem ser claras e simples para que o jogo aconteça. Estas regras precisam ser apresentadas em linguagem compatível com os jogadores e devem ser aceitas voluntariamente por eles.

Dentro do CÍRCULO MÁGICO o ser humano pode retomar a experiência de jogar apenas se entregando ao devir possível de simplesmente participar.

Apresentamos um programa de experimentação de 100 jogos, divididos em 4 módulos de 25 jogos cada e suas variáveis.

Datas:
02 de abril, 11 de junho,  06 de agosto e 0 de outubro – sábados, das 9 às 17hs
Local: Biocentrum – Rua Rio de Janeiro 694 – Pituba (Espaço Mahatma Gandhi)

Os participantes receberão todos os jogos descritos apostilados e pen drive com seleção de músicas indicadas.

Responsável: HILDA NASCIMENTO – Diretora Teatral, Facilitadora Didata em Biodança, Preparadora Corporal.


Inscrições e esclarecimentos: handragora@hotmail.com ou 71 99617 5422