domingo, 30 de agosto de 2015

TIRANIA DE INDIVIDUALIDADE




"Ninguém encontra uma justificação pra sua vida dentro de si mesmo. Nós intuímos as coisas em nós mesmos, mas é preciso lembrar que a palavra justificação vem de justiça. Justificar significa mostrar porque é justo. Aquilo que faz com que seja justo enfrentar a vida, são os outros. Precisamos acabar com essa tirania de individualidade."  
Valter Hugo Mãe


Cabe ao homem o poder de animar e movimentar seu corpo, libertando-o do enrigecimento. Isto porque, em suma, comparado a outros seres, ele é uma criação impotente, muito embora dentro de si morem forças profundas capazes de gerar muitas origens. Asism, o homem se expressa através da sua obra, daquilo que ele gera buscando se comunicar.

Para a Biodança, o ser humano precisa do outro para compreender-se em sua humanidade. Entretanto, ao longo do tempo, este outro tão essencial a nós mesmos, tornou-se nosso maior inimigo, predador da sua própria espécia dita "sapiens sapiens"...  Como diria Brecht: "então, Sr. Schmidt, o homem tem medo do homem?".





A prática regular da Biodança restaura o sentido do vier e aproxima as pessoas a partir da essencial aproximação com elas mesmas. Sim, porque o distanciamento do outro, por defesa, certamente gera uma pouca qualificação do humano que somos.






Resgatar nosso sentido de tribo, depurar a noção equivocada de que o outro é um perigo, perceberas relações como necessários saltos existenciais, tudo isto é mister de uma abordagem fundamentada no encontro humano e na prática em grupo, este último, micro representação do mundo em que vivemos. Nele, todos os conflitos, todas as dores e medos próprios da espécie que somos.




Mas, sustentado por esta teoria que nos fala da vida como centro da existência, temos um maravilhoso laboratório onde o grupo torna-se a grande matriz capaz de elaborar o que nele seja gerado.




Os tempos estão modernos e líquidos. Todos os apelos nos levam a crer que o outro seja nosso maior inimigo e, assim, confundimos individualidade com individualismo. Vivemos sós, iludidos com relações que não existem de fato, pois não geram o necessário conflito com o que somos. Com a Biodança, estamos na contramão, em plena revolução silenciosa. Almejamos a utopia realizada. E dá pra ver, em cada participante da roda, ela realizada, a cada dia!



E então... já não estamos sós. E isto, especialmente porque estamos muito mais conosco mesmos! Desta forma, mais conscientes para estabelecer relações partindo do encontro com nossas próprias potencialidades e limitações. Relações libertárias entre pessoas com auto estima sustentada.

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