domingo, 30 de agosto de 2015


ENVELHESCENCIA
- momento da vida em que os indivíduos se preparam para envelhecer -


Estamos em novos tempos. Certo é que toda mudança vai encontrar, a seu redor, a resistência do entorno. Sempre foi assim. Não me parece que esteja muito diferente. Ao mesmo tempo, é claro o momento de trânsito na compreensão do que é a vida e seus mistérios. Há algum tempo atrás, dizíamos que a ciência "avançava a galope". Hoje este avanço é tão rápido que, certamente deve saltar entre as dimensões. Não é mais possível conservar os mesmos padrões de pensamento do passado e, neste processo, muitas pessoas estão sofrendo.

De dentro das ruínas do paradigma da "velhice", salta a palavra ENVELHESCENCIA, criado por Manoel Belink para identificar o processo de trânsito entre a adultez e o tempo de vida seguinte. O termo "terceira idade" se espatifa sobre o chão das finitudes. Minha avó morreu com 24 anos vítima de tuberculose, Para a atualidade isto é uma piada! Dona Canô deixou o planeta lúcida, com 105 anos, completamente integrada e atuante. A ciência tem gerado condições de termos corpos mais saudáveis por muito mais tempo. Agora, é correr atrás da velocidade da tecnologia e da informação instantânea para que o cérebro não congele imobilizado em antigas crenças. Acho, inclusive, que todo dilema desta transição vem daí: os envelhescentes da atualidade, ainda não se acostumaram com sua condição. 

Ainda estamos nos levantando dos escombros que nos levavam a acreditar que os idosos eram inúteis, fardos e outras tolices mais. Num país capitalista, onde vale mais quem produz e tem mais, podemos até compreender este vício do pensar. O que acontece é que o mundo ainda não se acostumou aos idosos que estão conscientes da liberdade que alcançaram com sua idade avançada. Agora, eles vão atrás do que sempre quiseram e não realizaram. Ainda remanescentes de épocas como a ditadura militar, estas pessoas ainda não se empoderaram de todo, mas certamente estão a caminho.



A Biodança, enquanto processo de integração humana, toma de Humberto Maturana e Francisco Varela o termo AUTOPOIESE (ou autopoiesis) que designa a capacidade da vida gerar mais vida, de seres vivos produzirem a si próprios. Ora, isto é uma condição da ciência da vida, mas é também um estado de consciência atuante. Quando dançamos a Dança da Vida, ela tem o poder de despertar nossa matriz instintiva, tão reprimida pelos conceitos, pelas estruturas anti vida, muitas delas sustentadas por nossas próprias crenças. Assim, em contato com o mais profundo de si, os antigos velhinhos se empoderam da vida que têm e partem em direção a realização de seus desejos e expressão de suas potencialidades. É, muitas vezes, um encontro com a vida que nunca viveram, sempre acreditando nos moldes e formatos impostos pelo entorno.

A prática da Biodança regula enfermidades decorrentes do estilo de adoecer (muito confundido com estilo de viver) e instala nesses envelhescentes o desejo de viver - e não de esperar o dia da morte. Elas descobrem que podem ser bonitas, que gostam de descobrir novos conhecimentos, que seus corpos anseiam por aventuras e estão disponíveis para novas sensações, que os relacionamentos de todas as ordens fazem parte do sentir-se vivo e, assim, ocupam devidamente não apenas seu lugar na sociedade, mas especialmente seu lugar na vida que têm pra viver.








  1. Essencialmente descobrem que viver sem êxtase é meio viver. E que meio viver... é não viver!





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