terça-feira, 7 de julho de 2015

SEU MELHOR AMIGO É SEU TELEFONE?





SEU MELHOR AMIGO 
É SEU TELEFONE?


Em tempos de aceitação do uso abusivo das tecnologias, torna-se necessário uma consciência vigilante para não nos deixarmos confundir e acharmos que a enfermidade é sinal de saúde. E consciência é muito diferente de pensamento.

"No Mobile" - sem telemóvel. Foi na Inglaterra, onde mais de 50% da população possui smartphones que nasceu o termo "nomofobia", para designar um transtorno que chega de maneira silenciosa, construindo um discurso dito "conectado" para pessoas que passam a priorizar a vida online e deixam de aproveitar a vida real. Elas desenvolvem medo ou pânico de ficar longe do próprio celular. Tornam-se dependente do aparelho. Não podem viver sem internet e chegam até a desenvolver a "síndrome da vibração fantasma", outro comportamento enfermo, no qual escutam o telefone vibrar, quando isto não está acontecendo.

Alguns casos revelam relação exclusiva com o aparelho, escravizando o indivíduo que deixa de se interessar por atividades sociais, gastando muito do seu tempo com o celular. Esta relação lhe proporciona uma falsa sensação de companhia, liberdade e poder, ao mesmo tempo em que o leva a abandonar atividades, a carregar baterias obstinadamente, a experimentar severas crises de ansiedade alterando seu humor, sua respiração, provocando taquicardia e outras manifestações no organismo. 


O uso abusivo funciona como uma válvula de escape para eventos traumáticos de várias ordens. Muitas vezes, pode estar encobrindo outros distúrbios. Falar ao telefone passa a ser uma forma de prazer que encobre uma dor que não está consciente. A grande questão passa a ser "querer" tomar consciência. Muitas vezes, o medo de enfrentar a dor é maior do que saber-se dependente. Então, a pessoa prefere permanecer onde está, mesmo que reconheça que aquele lugar não lhe faz bem.


Cada um pode observar (em si ou em alguem) os três traços que formam os critérios de diagnóstico para esta enfermidade da nossa civilização: exclusividade, tolerância e abstinência. Então, aprecie estas perguntas:

. existem outras fontes de prazer e relação em sua vida? (exclusividade)
. você observa que cada vez gasta mais seu tempo com teccnologia? (tolerância)
. você sente (ou percebe)  que quando está sem seu celular isto lhe deixa irritado, agitado? (abstinência)

Se todas as respostas forem "não", ótimo. Caso contrário, vale a pena procurar um profissional que possa acompanhá-lo e ajudá-lo a atravessar este momento em sua vida.

Aqui não desejo fazer nenhuma apologia aos tempos passados, não condeno a tecnologia e não nego que os recursos atuais contribuem muito para que a vida possa ter outras qualidades. Sei, também, que a multiplicidade de afazeres e a crescente dificuldade em viver com um mínimo de qualidade vem engolindo nosso tempo gerando uma necessidade de imediatez na comunicação. Certo. Apenas acredito que não podemos confundir necessidade com desejo.

A Biodança restaura, no indivíduo, o seu prazer de viver em tribo - o sentido gregário. O trabalho em grupo, as danças estruturadas, a música, o estado de vivência, vão juntos relembrar ao corpo onde reside o seu prazer originário. Num ambiente seguro, confiável, ele vai construindo a importância da presença do outro no aqui e agora,  mobilizando as estruturas colapsadas pelo isolamento, dando-lhes condição de expressão através do movimento sensível e profundo. 


O tempo para viver é precioso - não pode ser desperdiçado. Não devemos roubá-lo de nós mesmos.


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