segunda-feira, 16 de março de 2015

ANÁLISES CONCLUSIVAS: APRENDIZAGEM E O "SE MOVIMENTAR"




Análises conclusivas:
aprendizagem e o “se ­movimentar”

Lísia Costa Gonçalves
Universidade do V ale do Itajaí, Itajaí, Santa Catarina, Brasil
Elenor Kunz, Aguinaldo Cesar Surdi, Soraya Corrêa Domingues
Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil


É  por meio da relação de diálogo com o mundo que fazemos nossas aprendizagens, quando a intuição fenomênica preenche o ato intuitivo ou operativo, gerador de uma essência operativa. O ato operativo é vivido de maneira irrefletida, orientando-se­ para um outro ato indicativo. Esse se dá a partir de uma intencionalidade operativa formadora de uma essência categorial. O ato indicativo baseado numa intencionalidade de ato aponta para uma atitude transcendental, pois, embora seja vivido de forma ainda obscura, direciona-­se para constituir um objeto transcendente. Esse objeto é a apropriação do conhecimento, que se faz na intersubjetividade – uma idealidade que revela as nossas essências e que possibilita nosso próprio reconhecimento no mundo, e que, portanto, nos permite transcender e refletir sobre as nossas vivências, tornando-­as claras e determinadas.

É o que Husserl  aborda quando trata da consciência transcendental, vendo a transcendência como uma identidade na diferença, como uma subjetividade intersubjetiva, pois somente na relação somos capazes de nos reconhecer e de tornar o que antes era obscuro e imanente em claro e transcendente.

A experiência do movimento do meu próprio corpo acompanha a experiência do outro, como o outro lado de um mesmo ser. O outro é o outro lado desta minha experiência. Nesse sentido, o conhecimento nasce das relações, do diálogo, da intersubjetividade numa perspectiva dinâmica, e as significações feitas são baseadas nos contextos que se apresentam e se modificam, momento a momento, deixando de lado a ideia de que o conhecimento está fundado numa coisa em si, seja ela a consciência ou um objeto. O horizonte de idealidades não está posto de forma unilateral, não é propriedade de uma consciência “em si”; ele se mistura por meio da linguagem ao mundo. É generalidade, pluralidade e carrega a profundidade que se traduz no tempo.

Misturando­-se ao mundo pelo diálogo, pouco a pouco vai se abrindo a novas possibilidades de aprendizagem, pois somos feitos pelo tecido do mundo, fazemos parte de uma trama geral que tem caráter dinâmico e que se faz na linguagem.

Podemos nos reconhecer apenas na medida em que nos relacionamos com o outro, quando podemos nos desdobrar e coparticipar das significações que, pelos movimentos, vão sendo refeitas ou recriadas. Nesse descentramento, já não somos localizáveis, não estamos nem aqui nem ali, porque somos seres de generalidade e, por isso mesmo, torna-­se possível nosso reconhecimento através desse outro que estabelece uma diferença entre nós.

“Porque sou totalidade é que sou capaz de colocar o outro no mundo e de me ver limitado por ele.”(MARLEAU ­PONTY )

“Cristo, poeta supremo, viveu a verdade tão apaixonadamente que cada gesto seu, a uma só vez Ato puro e Símbolo perfeito, personifica o transcendente.” Lewis Thompson


É para personificar o transcendente que estamos aqui, em imanência.

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