quarta-feira, 30 de setembro de 2015

CRISE DO VAZIO






Entendo que a pós modernidade, com sua falta de elementos articuladores de percepções e vivências, faz de nós um “aparelho digestivo sem enzimas”, já que confundimos a experiência do viver aqui e agora com o imediatismo, o isolamento social e a desimportância do outro. Ao lado disto, substituímos valores que orientavam nossa existência, por ícones que se esgotam em si mesmos: dinheiro, corpo ideal, drogas, programas de computadores. Desta maneira, o instante vivido é confundido como um desrespeito ao passado e uma irrelevância do futuro. Os seres que derivam deste mal estar são, cada vez mais, limitados em sua capacidade de lidar com o universo simbólico e representacional, tornando-se apáticos e mergulhando no que, atualmente, chamamos de Crise do Vazio. Já não creem em nada alem de si mesmos e acabam achando que, apertando um botão, serão capazes de resolver tudo, sozinhos.

A virtualização nos parece concreta e o distanciamento da alteridade afeta nossa capacidade reflexiva. Como em Otávia e Leônia (cidades citadas em Marco Polo), vivemos cercados de montanhas de lixo ou estamos tão vazios que não conseguimos mais lidar internamente com nada que seja realmente consistente. Perdemos, progressivamente, a capacidade de nos dobrarmos sobre nós mesmos, já que nosso repertório simbólico carece de significação e caminha, dia a dia, para um esvaziamento do seu repertório, arriscando a condição humana. De repente,  não estamos “nem aí”.

O não estar “nem aí” aponta o drama da condição humana na pós modernidade sendo, ao mesmo tempo, uma resposta emblemática que protege o indivíduo do drama da individualidade desnutrida mental e afetivamente. Ele se percebe protegido de si mesmo e dos outros. Assim, não sentir nada, não envolver-se em nada, não posicionar-se, acreditar que pode dar conta de tudo, sozinho, livra o homem de intimar, de arriscar-se junto a sua única possibilidade de saber-se vivo - o outro, confundindo este outro com as imagens e os bens que pode adquirir.
O não questionamento desses novos valores atrofiam a capacidade criativa e simbólica, esvaziando a força das formas, em nome de torná-las livres. Esta falta de contorno, de elementos estruturais de contraposição, geram um vazio representacional que são atolados a todo instante por uma enxurrada de estímulos que confundem a capacidade de pensar com o automatismo de decisões. O imediatismo é a lei. A lei parte de cada um. O Ethos adoecido não oferece, mais, moradia para as almas. E caminhamos em multidões, vagamente iludidos de que estamos acompanhados.

Nesta pasteurização do sentir, na busca da forma sem força, habita uma neutralidade mórbida que traz o “meio termo” como regra do bem viver. Então, os sentimentos intensos tornam-se “independentes” e pertencentes a um script de respostas prontas, sujeitos a gestos, expressões e sons empacotados. Neste formato, sucumbe a dinâmica libertária do Eros e o Ódio,  independente, vai buscar eliminar tudo que causar desconforto, gerando prazer. Temos, assim, uma perigosa substituição do prazer na balança da homeostase dos dias. De repente, o Ódio pode provocar prazer. Neste momento, os grupos antes integradores que, por sua dinâmica orgânica interditavam e elaboravam a destrutividade, passam agora a nutrir o primitivismo e o contato com expressões que não qualificam a vida. Não recalcamos o que nos afasta do outro, não fazemos acordos para bem viver e, hipnotizados pelas teclas e pela liquidez moderna, chegamos a acreditar que a existência pode ser mediada por contl+alt+Del. Tudo isto, por um punhado de “tempero” nos dias...


A Biodança é uma teoria criada a partir da importância do encontro humano.

“O outro é presença que nos confere presença.” Rolando Toro


Assim, seguimos no fluxo e, ao mesmo tempo, na contra mão da era do Vazio, numa empreitada pretensiosa, acreditando na revolução afetiva como estruturadora do tempo vindouro. Validamos todos os sentimentos, todas as implicações e consideramos que é mais valoroso um contato qualquer do que contato nenhum. O ser humano é gregário por natureza. Buscará sua tribo até que possa, nela, sentir-se acolhido. O princípio Biocêntrico é o grande norteador. A vida é o centro do universo – nada mais! Dançar a dança da vida convida a rever os paradigmas da pós modernidade em seu vazio tácito. Definitivamente, não somos sobreviventes e, se vem por aí um novo tempo, que seja fundamentado no encontro humano e na nossa capacidade de promover, enfim,  a grande revolução: a amorosa! Gritamos “Sim!” ao estarmos intensamente “aí”.

domingo, 30 de agosto de 2015

TIRANIA DE INDIVIDUALIDADE




"Ninguém encontra uma justificação pra sua vida dentro de si mesmo. Nós intuímos as coisas em nós mesmos, mas é preciso lembrar que a palavra justificação vem de justiça. Justificar significa mostrar porque é justo. Aquilo que faz com que seja justo enfrentar a vida, são os outros. Precisamos acabar com essa tirania de individualidade."  
Valter Hugo Mãe


Cabe ao homem o poder de animar e movimentar seu corpo, libertando-o do enrigecimento. Isto porque, em suma, comparado a outros seres, ele é uma criação impotente, muito embora dentro de si morem forças profundas capazes de gerar muitas origens. Asism, o homem se expressa através da sua obra, daquilo que ele gera buscando se comunicar.

Para a Biodança, o ser humano precisa do outro para compreender-se em sua humanidade. Entretanto, ao longo do tempo, este outro tão essencial a nós mesmos, tornou-se nosso maior inimigo, predador da sua própria espécia dita "sapiens sapiens"...  Como diria Brecht: "então, Sr. Schmidt, o homem tem medo do homem?".





A prática regular da Biodança restaura o sentido do vier e aproxima as pessoas a partir da essencial aproximação com elas mesmas. Sim, porque o distanciamento do outro, por defesa, certamente gera uma pouca qualificação do humano que somos.






Resgatar nosso sentido de tribo, depurar a noção equivocada de que o outro é um perigo, perceberas relações como necessários saltos existenciais, tudo isto é mister de uma abordagem fundamentada no encontro humano e na prática em grupo, este último, micro representação do mundo em que vivemos. Nele, todos os conflitos, todas as dores e medos próprios da espécie que somos.




Mas, sustentado por esta teoria que nos fala da vida como centro da existência, temos um maravilhoso laboratório onde o grupo torna-se a grande matriz capaz de elaborar o que nele seja gerado.




Os tempos estão modernos e líquidos. Todos os apelos nos levam a crer que o outro seja nosso maior inimigo e, assim, confundimos individualidade com individualismo. Vivemos sós, iludidos com relações que não existem de fato, pois não geram o necessário conflito com o que somos. Com a Biodança, estamos na contramão, em plena revolução silenciosa. Almejamos a utopia realizada. E dá pra ver, em cada participante da roda, ela realizada, a cada dia!



E então... já não estamos sós. E isto, especialmente porque estamos muito mais conosco mesmos! Desta forma, mais conscientes para estabelecer relações partindo do encontro com nossas próprias potencialidades e limitações. Relações libertárias entre pessoas com auto estima sustentada.

ENVELHESCENCIA
- momento da vida em que os indivíduos se preparam para envelhecer -


Estamos em novos tempos. Certo é que toda mudança vai encontrar, a seu redor, a resistência do entorno. Sempre foi assim. Não me parece que esteja muito diferente. Ao mesmo tempo, é claro o momento de trânsito na compreensão do que é a vida e seus mistérios. Há algum tempo atrás, dizíamos que a ciência "avançava a galope". Hoje este avanço é tão rápido que, certamente deve saltar entre as dimensões. Não é mais possível conservar os mesmos padrões de pensamento do passado e, neste processo, muitas pessoas estão sofrendo.

De dentro das ruínas do paradigma da "velhice", salta a palavra ENVELHESCENCIA, criado por Manoel Belink para identificar o processo de trânsito entre a adultez e o tempo de vida seguinte. O termo "terceira idade" se espatifa sobre o chão das finitudes. Minha avó morreu com 24 anos vítima de tuberculose, Para a atualidade isto é uma piada! Dona Canô deixou o planeta lúcida, com 105 anos, completamente integrada e atuante. A ciência tem gerado condições de termos corpos mais saudáveis por muito mais tempo. Agora, é correr atrás da velocidade da tecnologia e da informação instantânea para que o cérebro não congele imobilizado em antigas crenças. Acho, inclusive, que todo dilema desta transição vem daí: os envelhescentes da atualidade, ainda não se acostumaram com sua condição. 

Ainda estamos nos levantando dos escombros que nos levavam a acreditar que os idosos eram inúteis, fardos e outras tolices mais. Num país capitalista, onde vale mais quem produz e tem mais, podemos até compreender este vício do pensar. O que acontece é que o mundo ainda não se acostumou aos idosos que estão conscientes da liberdade que alcançaram com sua idade avançada. Agora, eles vão atrás do que sempre quiseram e não realizaram. Ainda remanescentes de épocas como a ditadura militar, estas pessoas ainda não se empoderaram de todo, mas certamente estão a caminho.



A Biodança, enquanto processo de integração humana, toma de Humberto Maturana e Francisco Varela o termo AUTOPOIESE (ou autopoiesis) que designa a capacidade da vida gerar mais vida, de seres vivos produzirem a si próprios. Ora, isto é uma condição da ciência da vida, mas é também um estado de consciência atuante. Quando dançamos a Dança da Vida, ela tem o poder de despertar nossa matriz instintiva, tão reprimida pelos conceitos, pelas estruturas anti vida, muitas delas sustentadas por nossas próprias crenças. Assim, em contato com o mais profundo de si, os antigos velhinhos se empoderam da vida que têm e partem em direção a realização de seus desejos e expressão de suas potencialidades. É, muitas vezes, um encontro com a vida que nunca viveram, sempre acreditando nos moldes e formatos impostos pelo entorno.

A prática da Biodança regula enfermidades decorrentes do estilo de adoecer (muito confundido com estilo de viver) e instala nesses envelhescentes o desejo de viver - e não de esperar o dia da morte. Elas descobrem que podem ser bonitas, que gostam de descobrir novos conhecimentos, que seus corpos anseiam por aventuras e estão disponíveis para novas sensações, que os relacionamentos de todas as ordens fazem parte do sentir-se vivo e, assim, ocupam devidamente não apenas seu lugar na sociedade, mas especialmente seu lugar na vida que têm pra viver.








  1. Essencialmente descobrem que viver sem êxtase é meio viver. E que meio viver... é não viver!





terça-feira, 7 de julho de 2015

SEU MELHOR AMIGO É SEU TELEFONE?





SEU MELHOR AMIGO 
É SEU TELEFONE?


Em tempos de aceitação do uso abusivo das tecnologias, torna-se necessário uma consciência vigilante para não nos deixarmos confundir e acharmos que a enfermidade é sinal de saúde. E consciência é muito diferente de pensamento.

"No Mobile" - sem telemóvel. Foi na Inglaterra, onde mais de 50% da população possui smartphones que nasceu o termo "nomofobia", para designar um transtorno que chega de maneira silenciosa, construindo um discurso dito "conectado" para pessoas que passam a priorizar a vida online e deixam de aproveitar a vida real. Elas desenvolvem medo ou pânico de ficar longe do próprio celular. Tornam-se dependente do aparelho. Não podem viver sem internet e chegam até a desenvolver a "síndrome da vibração fantasma", outro comportamento enfermo, no qual escutam o telefone vibrar, quando isto não está acontecendo.

Alguns casos revelam relação exclusiva com o aparelho, escravizando o indivíduo que deixa de se interessar por atividades sociais, gastando muito do seu tempo com o celular. Esta relação lhe proporciona uma falsa sensação de companhia, liberdade e poder, ao mesmo tempo em que o leva a abandonar atividades, a carregar baterias obstinadamente, a experimentar severas crises de ansiedade alterando seu humor, sua respiração, provocando taquicardia e outras manifestações no organismo. 


O uso abusivo funciona como uma válvula de escape para eventos traumáticos de várias ordens. Muitas vezes, pode estar encobrindo outros distúrbios. Falar ao telefone passa a ser uma forma de prazer que encobre uma dor que não está consciente. A grande questão passa a ser "querer" tomar consciência. Muitas vezes, o medo de enfrentar a dor é maior do que saber-se dependente. Então, a pessoa prefere permanecer onde está, mesmo que reconheça que aquele lugar não lhe faz bem.


Cada um pode observar (em si ou em alguem) os três traços que formam os critérios de diagnóstico para esta enfermidade da nossa civilização: exclusividade, tolerância e abstinência. Então, aprecie estas perguntas:

. existem outras fontes de prazer e relação em sua vida? (exclusividade)
. você observa que cada vez gasta mais seu tempo com teccnologia? (tolerância)
. você sente (ou percebe)  que quando está sem seu celular isto lhe deixa irritado, agitado? (abstinência)

Se todas as respostas forem "não", ótimo. Caso contrário, vale a pena procurar um profissional que possa acompanhá-lo e ajudá-lo a atravessar este momento em sua vida.

Aqui não desejo fazer nenhuma apologia aos tempos passados, não condeno a tecnologia e não nego que os recursos atuais contribuem muito para que a vida possa ter outras qualidades. Sei, também, que a multiplicidade de afazeres e a crescente dificuldade em viver com um mínimo de qualidade vem engolindo nosso tempo gerando uma necessidade de imediatez na comunicação. Certo. Apenas acredito que não podemos confundir necessidade com desejo.

A Biodança restaura, no indivíduo, o seu prazer de viver em tribo - o sentido gregário. O trabalho em grupo, as danças estruturadas, a música, o estado de vivência, vão juntos relembrar ao corpo onde reside o seu prazer originário. Num ambiente seguro, confiável, ele vai construindo a importância da presença do outro no aqui e agora,  mobilizando as estruturas colapsadas pelo isolamento, dando-lhes condição de expressão através do movimento sensível e profundo. 


O tempo para viver é precioso - não pode ser desperdiçado. Não devemos roubá-lo de nós mesmos.


terça-feira, 26 de maio de 2015

LOWEN E A LOUCURA NOSSA DE CADA DIA





"Para entender plenamente o medo da insanidade que existe em tantas pessoas, precisamos estar conscientes do papel que nossa cultura representa para enlouquecer as pessoas. Vivemos numa cultura hiperativa que superexcita e super estimula todos os que estão expostos a ela. Há movimentos demais, barulho e som demais, coisas demais e sujeira demais. Uma capa recente da revista New York demonstrava um homem atormentado tapando seus ouvidos e gritando: "O barulho está me deixando louco". Podemos sobreviver sem nos tornarmos literalmente insanos, mas para tanto temos de amortecer os sentidos par que não ouçamos o barulho ou vejamos a sujeita ou percebamos o movimento contínuo. Mas uma hiperatividade similar continua nos lares de hoje com seus televisores e aparelhos eletrodomésticos. Nesta cultura, não podemos reduzir a velocidade ou nos acalmar. A hiperatividade é abastecida pela mesma frustração que impulsiona a criança hiperativa - ou seja, a incapacidade de ficar em contato  com o núcleo íntimo e profundo do próprio ser, a alma ou espírito. Nossa cultura é direcionada para o exterior, no sentido de que estamos tentando encontrar o significado da vida em sensações, não em sentimentos; em fazer, não em ser; em possuir coisas, não o próprio self. É louca e nos deixa loucos porque nos dissocia de nossas raízes na natureza, do chão sobre o qual nos apoiamos, da realidade.

Mas acredito que o pior elemento nessa cultura seja o foco excessivo sobre a sexualidade e sua exploração. Somos continuamente expostos a imagens sexuais, que são excitantes mas também frustrantes, pois não há possibilidade de descarga imediata. Essa super estimulação sexual obriga o indivíduo a eliminar seu sentimento sexual para não se dominado ou ficar fora de controle. Mas, como o sentimento é a vida do corpo, o indivíduo neurótico cujos sentimento sexuais foram reprimidos é impelido a atuar (act out) sexualmente em busca de excitação e sentimento. isso geralmente assume a forma de estupro, abuso sexual de crianças ou pornografia. Não conseguimos lidar com esse problema através de sermões ou lições de moral, pois decorre de uma perda de contato com a natureza e com a nossa própria verdadeira natureza - a vida do corpo."

Alexander Lowen - Alegria - pg. 183

terça-feira, 5 de maio de 2015

EXISTE SAÚDE PERFEITA?





A definição de saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra-se ultrapassada e difícil de ser redefinida. Isto porque, já não podemos mais compreender este conceito apenas como “a situação de perfeito bem-estar físico, mental e social”. O tempo passou e a atualidade nos convida a compreender o corpo humano como um complexo indissociado de vários outros corpos, incluindo o social – o que não é é uma tarefa simples.


A modernidade questiona o que poderia ser considerado “perfeito”. A resposta é NADA. Então, a própria definição traz, em si, uma utopia. O ser humano, em suas nuances e expressões, é um organismo vivo de extrema complexidade em todos os seus aspectos e, seu melhor estado é o de equilíbrio dinâmico, nele incluídos os desvios dos considerados eixos padrões.

Há muitos anos, trocamos nossa liberdade por um acordo de segurança e, assim, criamos o que hoje chamamos de civilização. Entretanto, esta permuta nos trouxe uma constante insatisfação que, queiramos ou não, vai manifestar-se no físico. Desta maneira, nos sentirmos tensos, angustiados ou expectantes seriam elementos constitutivos da nossa idéia de saúde. O que devemos apreciar é a maneira como lidamos com estas sensações e reagimos a elas. Nenhum padrão vivo mantém-se rigorosamente equilibrado. Sejam nossos batimentos cardíacos, até nossos reflexos, nossa freqüência respiratória, todos os aspectos que contribuem para percebermos nossa saúde, são dinâmicos. O corpo humano movimenta-se criativamente a cada segundo para gerar novas possibilidades de relacionar-se com o que está acontecendo em si mesmo, no trato com seus semelhantes e com o mundo ao seu redor. Podemos, ainda, imaginar que “não estou sentindo nada” seria indicador de saúde, mas este é um grave equívoco.

Ações de confronto, divergências, expressões de extremo afeto, de alegria esfuziantes, são perfeitamente desejáveis para identificarmos uma pessoa que está realmente viva e lida com o mundo no qual está inserida. Por ser indissociado dos demais aspectos, seu corpo irá somatizar as curvas de percepção que resultarem de suas ações e isto é sinal de saúde, sim! Se você está esperando alguém muito querido ansiosamente, é justo que seu coração bata acelerado e você precise tomar um pouco de água para abrandar a respiração presa no peito. No entanto, esta reação estaria fugindo ao padrão dito normal dos seus batimentos cardíacos.

Assim, não existe saúde perfeita, nem corpo perfeito, nem felicidade perfeita quando nos referimos a um ser humano. Na verdade, a grande perfeição é não ter perfeição alguma. Da mesma forma quando nos referimos a relações interpessoais e à nossa relação com o meio. Como num jogo, estaremos sempre aguardando e lidando com o que vai aparecer e precisar de elaboração.

Podemos observar como é danosa a “Síndrome da Felicidade” ou as “Normopatias” resultantes de uma civilização enferma que preconiza o rosto sorridente e a ausência de problemas como paradigma do bem viver. Somos seres dotados de instinto. Não há como desprezar o conteúdo que habita em nosso cérebro reptiliano, que nos capacita para lutarmos ou fugirmos, para buscarmos guarida, para protegermos nosso território e nossa cria. A excessiva adaptação ao estado intermediário de sentir os dias, anestesia os sentidos. Passamos, então,  a valorizar o “não estou sentindo nada” para não gritarmos, confrontarmos e garantirmos nosso lugar no bloco dos civilizados. Adotamos o sorriso eterno para que não precisemos falar das nossas dores ou dos nossos medos. O preço que algumas pessoas pegam por esta excessiva adaptação, por este disfarce, recai sobre sua vida, tornando-a empobrecida, temerosamente plácida, morna. Dá-se um amortecimento dos planos, dos sonhos e consequentemente a criatividade torna-se inútil (conquistar o quê? Pra quê?). Fica fácil perceber como uma identidade fortalecida para encontros e confrontos é sinal de saúde e integração.

Se olharmos um pouco adiante de nosso próprio corpo, quem estará disposto a revisitar seu trabalho e perceber o quanto respondemos a sua forma de organização somatizando uma excitação que não pode ser revelada senão como uma doença? Sentir azia porque comemos amendoim demais é uma coisa. Engolir sapos cotidianamente no trabalho acreditando que não temos jeito, é outra bem diferente, especialmente porque no segundo exemplo seremos levados a reagir à “azia dos dias” com silêncio e sorrisos, promovendo uma dissociação entre o que pensamos e sentimos. Então, adoecemos e fugimos. O plano somático salva nosso instinto de luta. Ele é amortecido e somos recompensados até com cuidados especiais.

Em Bioética podemos aprender que “qualidade de vida” é algo subjetivo e intrínseco a cada sujeito. A palavra “paciente” começa a ser olhada com alguma desconfiança. O indivíduo é chamado, cada vez mais, a assumir as rédeas de sua própria vida e promover os aspectos que gerem sua saúde. Deixa-se de ser paciente para ser agente.


Acredito que, a maneira mais atual de refletir sobre o conceito de saúde seja compreendendo-o como uma dança. Uma dança de sincronização harmônica entre uma pessoa e sua realidade, considerando-se todas as nuances melódicas e a construção criativa do indivíduo para manter o movimento continuado, integrado e pleno de sentido! Mas... isto aí já é Biodança. E Biodança... não é uma outra história!

quarta-feira, 29 de abril de 2015

YANG - A ESPADA SOLAR





Os conceitos Yin e Yang pertencem à filosofia Taoísta, segundo a qual estas energias são as duas forças da natureza que se complementam formando o Tao, a Unidade Suprema. Segundo esta concepção, o princípio Yin é o feminino, passivo, frio, recolhido e receptivo e o Yang é o princípio que está presente em todas as manifestações ativas, quentes, luminosas e criativa do universo.

Em Biodança utilizamos estes conceitos apenas como metáfora para designar as forças criativas polarizadas fundamentais do universo. Desta forma, a energia Yin (e sua dança) , feminina, traz as qualidades da receptividade, da gestação, do cíclico, do lunar, orgânico, sensível e da inspiração.

A Dança Yang, em Biodança, é um convite para conexão com a força solar de realização. É com esta energia que os sonhos se tornam realidade e a procrastinação cede lugar a uma atitude de avanço sobre os próprios limites. Ela restaura a segurança interior e a confiança em si mesmo. Os sonhos passam a ser vistos como projetos de realidade e a luta como expressão do ser e seu poder de construção no mundo. Seus movimentos dinâmicos, vigorosos, inspirados nas ações de entrar, avançar, abrir caminhos, penetrar, nos signos das espadas, das lanças, da flechas, estão muito além das demonstrações de força, velocidade e potência. Elas invocam um impulso interior instintivo e emotivo, pleno de vitalidade e foco. O olhar Yang é aberto, focado e firme sem rigidez. O tônus ganha tensão e podem ser emitidos gritos que nascem de espaços profundos, instintivos, que estejam à disposição de restaurar e integrar a identidade continuamente ameaçada.

As energias Yin e Yang não são exclusividade de mulheres e homens, repectivamente. Se observamos o Tao, compreenderemos que cada lado contempla um espaço de presença da polaridade para “temperar” seus excessos. Assim, compreendemos que é necessária a consciência Yin para que o Yang esteja saudável e vice-versa.


Nosso cotidiano tende a ser patologicamente Yang, estimulado pela valorização da competitividade e da aceleração nos ambientes de trabalho que acabam se estendendo para dentro das casas e das relações como significantes de valor pessoal. Assim, temos um estilo de viver estressante que ultrapassa a agressividade criativa para desembocar numa violência tácita. O valor pessoal passa a ser medido pela quantidade de pessoas derrotadas que podemos deixar pelo caminho por onde passamos. O resultado disto é uma existência solitária, desconfiada e deprimida.


A Biodança contempla a necessidade de investigar tal equilíbrio com a dança Yin/Yang, onde tal equilíbrio pode ser vivenciado e a pessoa perceber as nuances fluidas desses aspectos em sua existência. 


domingo, 12 de abril de 2015

O QUE É VITALIDADE?



O QUE É VITALIDADE ?






A vitalidade é um conjunto potencial que abarca o corpo do indivíduo como um todo. Em Biodança este conceito é abordado segundo uma perspectiva sistêmica, resultando de múltiplos fatores que se integram para manter a estabilidade funcional, permitir a expressão genética e conservar a harmonia do sistema vivo, a despeito das modificações do ambiente. É a energia que o individuo possui para enfrentar o mundo e neste conjunto estão compreendidos os instintos de conservação, de fome, de sede, assim como as respostas de luta, de fuga e as funções de regulação da atividade e do repouso. O corpo é o elemento fundamental para a expressão dessa potencialidade enquanto experiência viva e fundamental que dota o indivíduo de singularidade e ancora a sua identidade sobre o nosso planeta dual.

Nascer, é diferente de existir. Existir é o resultado de uma consciência intensificada de si mesmo presente no movimento pleno de significado no aqui e agora. Portanto, podemos compreender que, quando nascemos, estamos vivos mas não nos “sentimos” assim. O que nos leva a tal sensação é o conjunto de experiências vividas que conferem sentido a nossa existência. Viver é, então, uma dança que se define pela manutenção do ato de dançar a vida e do que registramos em nossa memória existencial.

A desconexão com o corpo promove um efeito que Winnicott denominou de despersonalização, levando o indivíduo a sentir que não é real para si mesmo. Isso pode se manifestar de várias formas e com muitas nuances. Com grande freqüência se produz um desalojamento no qual a energia corporal, com todas as suas qualidades expressas em  movimento, colapsa em regiões diferentes desse corpo impedindo o livre fluxo da vitalidade. Em casos assim, há a possibilidade do indivíduo fixar-se em seu trabalho, como expressão da sobrevivência, confundida com ato de viver, numa tentativa ilusória de sentir-se realmente vivo. Em outros casos, ele também pode construir com outra pessoa uma relação parasitária para ter a impressão de estar realmente vivo, projetado numa vitalidade que não é a sua. Isto porque a reprodução de movimentos sem significação própria está distante de ser considerado como saúde vital. Na verdade, não passa de um acordo de sobrevivência, por vezes dificílimo de ser acessado pois, em algum ponto, a pessoa passa a correr o risco de já não reconhecer mais aquele conjunto de gestos como não sendo seu.

Vale entender que manter-se vivo nem sempre é sinal de vitalidade. Às vezes, também, a falta de vitalidade é o único recurso para suportar as vicissitudes e dar ao indivíduo um tempo para recobrar as forças. Neste caso, ela é a melhor expressão possível, e deve ser considerada.

A Biodança atua nutrindo a porção saudável do indivíduo. Em situações de desvitalização, os exercícios propostos levarão as pessoas a experimentarem sensações de prazer e presença, reforçando sua identidade, questionando paradigmas e valores duvidosos. Em algum momento, elas descobrem que não viviam – apenas sobreviviam e não imaginavam que podia haver outro mundo para sentir-se seguro do ato de viver intensamente, incluindo neste ato o poder de enfrentamento das desilusões.  Dá-se, então, o descongelamento dos antigos vestígios de vitalidade colapsados ao longo do tempo, fatais impedimentos do curso da criação do si mesmo, mantenedores do claustro onde ficou encerrada a energia vital . A percepção impressa pela vivência alcança a capacidade de reintegrar-se a cada vez que as vicissitudes acontecem, tornando-se forte inspiração para o enfrentamento dos conflitos, colocando o indivíduo num novo lugar frente a si mesmo e ao mundo.

No acompanhamento do processo evolutivo, percebemos mudanças estruturais na Vitalidade do indivíduo que pratica Biodança. Inicialmente, desenvolve-se uma busca de felicidade que eleva a qualidade das suas escolhas e práticas cotidianas. Em seguida, podemos observar a otimização da sua saúde física, que renova-se a cada instante na prática de autorregulação sistêmica, aumentando sua energia vital. Continuando, notamos que a seletividade passa a fazer parte do seu perfil pessoal, dissolvendo couraças musculares e suprimindo sintomas psicossomáticos que antes sustentavam enfermidades típicas de um estilo de adoecer (e não de viver). Isto porque mudam as escolhas – então muda-se, também, os sintomas. Finalmente, a potencialização da Vitalidade integra o pensar/sentir/agir do indivíduo, elevando sua qualidade existencial.

A experiência de sentir-se realmente vivo que ultrapassa o que as palavras podem alcançar. Neste caso, a arte surge como poderosa aliada, escoadouro por onde essa tensão expressiva pode vazar e ganhar significantes capazes de expressar a sensação de estar vivo. Portanto, faz parte do desenvolvimento de uma Vitalidade harmonizada o desejo de contato com linguagens artísticas e o contato mais profundo com as emoções que elas despertam. Isto porque o fluxo das emoções faz parte da saúde vital do ser humano.

As danças sugeridas pela Linha de Vivência da Vitalidade, na Bidoança, dão voz a áreas do si mesmo silenciadas pelas regras, pelas normas que, em sua selvageria, muitas vezes adestram o indivíduo e castram o que existe nele, de genuíno, em troca da sua aceitação no meio. Silenciado, o indivíduo vê degenerar em si mesmo aquilo que ele tinha de melhor e, com medo de ser segregado, submete-se e “morre” vivo. Dançando ele conecta com sua energia essencial e, carregado da consciência de estar vivo, buscará meios de expressar este imenso potencial.


Portanto, recuperar a potência do ato de viver, em Biodança, não promete a ninguém a tranqüilidade morna de dias sem abismos. Muito ao contrário, viver intensamente convida a sonhar à partir do ato consciente de acordar. Caem os mitos da terra prometida. Existir passa a ser função da habilidade em lidar com a multivalências dos dias, nisto incluindo a nossa própria multivalência em relação ao que consideramos estarmos, realmente, vivos.

segunda-feira, 30 de março de 2015

BIODANÇA E ÊXTASE




BIODANÇA E ÊXTASE



A palavra “êxtase” deriva do grego ekstasis que significava “sair fora de si”.

Em Biodança compreendemos o êxtase  como a sensação superlativa de estarmos vivos, incluindo, neste modo de ser, a percepção profunda de tudo mais que está no planeta, pulsa e vive.

Este estado “vivíssimo” de ser, promove profunda renovação orgânica pelo caminho de acesso que abre para a experiência da expansão em gozo íntimo, pelo trânsito promovido para fora e para dentro de si, pela resposta química em nossa corrente sanguínea dado o estado de enlevo e prazer e pelo ganho resultante da vivência trazida para o aqui e agora, à disposição dos dias.

Os complexos celulares não são sistemas mecânicos, mas reagem a cada momento da vida de modo inovador e com uma coerência absoluta diante das transformações do ambiente externo. Este processo de adaptação e de integração é decididamente criativo… Se o ato de viver é uma sutil manifestação do prodigioso movimento de um universo biologicamente organizado e em criação permanente, a criatividade humana pode ser considerada uma extensão dessas formas biocósmicas que se exprimem por meio de cada indivíduo. Nós somos ao mesmo tempo a mensagem, a criatura e o criador.
Rolando Toro

Quanto menos prazer sentir um ser humano, mais fácil de ser submetido ele será. Assim, reconectar-se com o prazer de estar vivo, de ser agente de sua própria vida, torna-se um ganho que fará frente a relações tóxicas, estilos adoecidos de viver e escolhas equivocadas.

As experiências de êxtase em Biodança promovem esta reconexão, este contato com a fome de viver com prazer, criativamente, expandindo seu potencial afetivo, construindo dia a dia a alquimia da uma existência presente e consciente.  A descoberta das próprias potencialidades leva a questionamentos sobre velhos paradigmas, sobre a replicação de movimentos sem sentido e recoloca o indivíduo à frente da sua própria vida, abandonando a vitimação confortável que, por vezes, serviu como justificativa para não enfrentar mudanças.

As palavras NÃO, BASTA, CHEGA  e outras afins passam a fazer parte do vocabulário cotidiano, abrindo as portas para outras como SIM, MAIS e AGORA!


Aqui não se trata de uma dança qualquer. Aqui tratamos de dançar a VIDA. E vida é sinônimo de movimento.

segunda-feira, 16 de março de 2015

ANÁLISES CONCLUSIVAS: APRENDIZAGEM E O "SE MOVIMENTAR"




Análises conclusivas:
aprendizagem e o “se ­movimentar”

Lísia Costa Gonçalves
Universidade do V ale do Itajaí, Itajaí, Santa Catarina, Brasil
Elenor Kunz, Aguinaldo Cesar Surdi, Soraya Corrêa Domingues
Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil


É  por meio da relação de diálogo com o mundo que fazemos nossas aprendizagens, quando a intuição fenomênica preenche o ato intuitivo ou operativo, gerador de uma essência operativa. O ato operativo é vivido de maneira irrefletida, orientando-se­ para um outro ato indicativo. Esse se dá a partir de uma intencionalidade operativa formadora de uma essência categorial. O ato indicativo baseado numa intencionalidade de ato aponta para uma atitude transcendental, pois, embora seja vivido de forma ainda obscura, direciona-­se para constituir um objeto transcendente. Esse objeto é a apropriação do conhecimento, que se faz na intersubjetividade – uma idealidade que revela as nossas essências e que possibilita nosso próprio reconhecimento no mundo, e que, portanto, nos permite transcender e refletir sobre as nossas vivências, tornando-­as claras e determinadas.

É o que Husserl  aborda quando trata da consciência transcendental, vendo a transcendência como uma identidade na diferença, como uma subjetividade intersubjetiva, pois somente na relação somos capazes de nos reconhecer e de tornar o que antes era obscuro e imanente em claro e transcendente.

A experiência do movimento do meu próprio corpo acompanha a experiência do outro, como o outro lado de um mesmo ser. O outro é o outro lado desta minha experiência. Nesse sentido, o conhecimento nasce das relações, do diálogo, da intersubjetividade numa perspectiva dinâmica, e as significações feitas são baseadas nos contextos que se apresentam e se modificam, momento a momento, deixando de lado a ideia de que o conhecimento está fundado numa coisa em si, seja ela a consciência ou um objeto. O horizonte de idealidades não está posto de forma unilateral, não é propriedade de uma consciência “em si”; ele se mistura por meio da linguagem ao mundo. É generalidade, pluralidade e carrega a profundidade que se traduz no tempo.

Misturando­-se ao mundo pelo diálogo, pouco a pouco vai se abrindo a novas possibilidades de aprendizagem, pois somos feitos pelo tecido do mundo, fazemos parte de uma trama geral que tem caráter dinâmico e que se faz na linguagem.

Podemos nos reconhecer apenas na medida em que nos relacionamos com o outro, quando podemos nos desdobrar e coparticipar das significações que, pelos movimentos, vão sendo refeitas ou recriadas. Nesse descentramento, já não somos localizáveis, não estamos nem aqui nem ali, porque somos seres de generalidade e, por isso mesmo, torna-­se possível nosso reconhecimento através desse outro que estabelece uma diferença entre nós.

“Porque sou totalidade é que sou capaz de colocar o outro no mundo e de me ver limitado por ele.”(MARLEAU ­PONTY )

“Cristo, poeta supremo, viveu a verdade tão apaixonadamente que cada gesto seu, a uma só vez Ato puro e Símbolo perfeito, personifica o transcendente.” Lewis Thompson


É para personificar o transcendente que estamos aqui, em imanência.

domingo, 8 de março de 2015

PARA AS MULHERES





BALÉ JOVEM DA ALEMANHA

Fotografia: MAIRA LINS - integrante do Grupo Habitat (Biodança para Artistas) do Biocentrum.






         LILY BRAUN - PODRES PODERES + BLUES DA PIEDADE + DISRITMIA

Vocal: BRUNA BARRETO - aluna de Pilates 
e integrante do Grupo Habitat (Biodança para Artistas) do Biocentrum.







CREPE "AVENIDA CONTORNO" DO RESTAURANTE SOLAR

em formato de trouxinha com camarões frescos, morangos, endro dill e creme de leite light, para as mulheres, seres que conseguem ao mesmo tempo unir delicadeza e força, beleza e profundidade, doçura e firmeza. 

Andréa Nascimento (Chef Executiva do Solar) e Maíra D´Oliveira (Administradora do Solar) são alunas de Pilates do Biocentrum.




                                                              Fotografia: Isabel Sant´Anna

SAÍDA DO CORTEJO DO BEREGUEDÊ TRANSEUNTE - Festa de Iemanjá
Fotografia: Isabel Sant´Anna

ÉRICA RIBEIRO, atriz e bailarina, é integrante do Grupo de Biodança "Primavera nos Dentes", do Biocentrum.



CAU GOMEZ , artista visual e cartunista, é aluno de Pilates do Biocentrum.





LIU NASCIMENTO, cabeleireira e maquiadora, é aluna de Pilates do Biocentrum.






Espetáculo RICARDO III 

TACIANA BASTOS, atriz, é integrante do Grupo de Biodança "Primavera nos Dentes", do Biocentrum.







UMA MULHER COMPLETA - por Anjos Urbanos




Uma mulher completa

Não é meia lua
nem é meia taça
É poeta

Não é poetisa

nem mona lisa

Não sorri discreta
de canto de boca
Gargalha louca
e direta
Uma mulher inteira
não é sua esposa
nem minha
Ela repousa livre no infinito
nem princesa nem rainha
Foge ao mito e pousa
como mariposa
Que do casulo frágil onde a desenho
voa, com seu próprio empenho
em seu próprio rito
Uma mulher total
não é menina, mãe ou irmã
Nem namorada ou amante
é o sol da manhã
A paisagem distante e errante
Que não se revela
Não é a nudez de uma tela
calma
Mais ainda mais bela
Alma.

Anjos urbanos
@Direitos reservados

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

EXCLUSIVO PARA ARTISTAS



HABITAT
“onde você está?” 
. uma programação exclusiva para artistas .





Um corpo está desabitado quando sua alma está ausente. Devolver o indivíduo a seu corpo resulta em construir um humano disponível para viver todos os aspectos da existência em total intensidade, harmoniosamente, integrando sombra e luz. Isto é resultado de uma consciência intensificada de si mesmo, capaz de olhar seus múltiplos aspectos e refletir sobre eles.


HABITAT é uma proposta de investigação das qualidades do movimento humano e corporificação da consciência. 


Sua programação apresenta elementos do movimento humano que serão vivenciados através de sessões de Biodança:


AGILIDADE / EQUILÍBRIO / LEVEZA  / FLUIDEZ / SINERGISMO /

RESISTÊNCIA / RITMO / DESLOCAMENTO / ÍMPETO / POTÊNCIA /

EUTONIA / DIVERSIFICAÇÃO / ANIMAÇÃO DO MOVIMENTO /

EXPRESSIVIDADE SENSÍVEL / EXPANSÃO / HARMONIA  / DOMÍNIO

VOLUNTÁRIO E INTENCIONAL  / INTENSIDADE


Período: março a novembro de 2015

Das 20 às 22:00

Biocentrum – Espaço Mahatma Gandhi – Rua Rio de Janeiro 694 – Pituba

Maiores informações: handragora@hotmail.com  ou 9617 5422

Facilitação: Eliana Pereira e Hilda Nascimento