quarta-feira, 15 de outubro de 2014

SÍNDROME DE PÂNICO







Ultimamente temos ouvido, com muita freqüência, um bom número de pessoas nos dizerem que estão com Pânico. Assim, referem-se a uma Síndrome que, em Biodança, consideramos como Enfermidade da Civilização, ou seja, uma enfermidade resultante do estilo de adoecer – e não de viver.

O Transtorno do Pânico é definido principalmente a partir dos sintomas físicos, como palpitação, dores torácicas, sensação de asfixia e secundariamente pela sensação eminente de morte, medo de enlouquecer ou perder o controle. Este conjunto não pode ser olhado de forma reducionista, pois assim confundiríamos qualquer manifestação de ansiedade e outros desconfortos.

Boa parte dessas pessoas têm entre 21 e 40 anos e encontram-se na plenitude de suas vidas profissionais. O perfil delas costuma apresentar aspectos em comum: geralmente são pessoas extremamente produtivas profissionalmente, costumam assumir uma carga excessiva de responsabilidades e afazeres, são bastantes exigentes consigo mesmos, não convivem bem com erros ou imprevistos, têm tendência a se preocuparem excessivamente com problemas cotidianos, são muito criativas, perfeccionistas, têm excessiva necessidade de estar no controle e de aprovação, constroem auto-expectativas extremamente altas, pensamento rígido, são competentes e confiáveis, costumam reprimir alguns ou todos os sentimentos chamados negativos (os mais comuns são, o orgulho e a irritação), têm tendência a ignorar as necessidades físicas do corpo, entre outras. Essa forma de ser acaba por predispor estas pessoas a situações de stress acentuado, fato este que pode levar ao aumento intenso da atividade de determinadas regiões do cérebro desencadeando assim um desequilíbrio bioquímico e consequentemente o aparecimento do transtorno.

Para aqueles, entretanto, que valorizam a subjetividade, o que se passa em um sujeito que porta em seu cérebro neurônios, sinapses e neurotransmissores e que apresenta os sintomas de Transtorno do Pânico, sabe que esta enfermidade vai muito além de um simples desequilíbrio químico. Segundo Moreno (Psicodrama), a ansiedade está ligada à latência na expressão da espontaneidade ainda contida e que não pôde exercer seu papel transformador. Para Freud e Lacan também a angústia está intimamente ligada à expressão dos desejos. 

É  gratificante observar a intensa transformação pessoal que costuma suceder as crises de pânico, quando as emoções antes dissociadas vão ganhando significado como expressão do sujeito. Mas este movimento requer forte determinação e acompanhamento competente.

A síndrome do pânico não é um transtorno que surge “do nada” na vida de alguém. Na verdade, esse medo está escondido em todas as pessoas desde a infância, mas um dia “resolve” se apresentar e pegá-las de surpresa... Se você for um desses “premiados” ou não, é bom conhecer a causa desse transtorno e como se deve lidar com ele.

Em Biodança, todas as danças convidam à livre expressão. Colocar pra fora seus sentimentos com movimentos plenos de significado modifica padrões cristalizados, restaura o equilíbrio sistêmico do corpo e integra o pensar/sentir/agir restabelecendo os fluxos químicos adequados a cada situação. A modificação de padrões viciosos de viver é recomendação fundamental para quem deseja restabelecer a saúde da sua vida como um todo, pois não há como recuperar tempo de vida perdido, mas há como agir profilaticamente para que a vida que se vive seja cheia de significado e saúde.