terça-feira, 9 de setembro de 2014

CATRINA, AMOR E MORTE






A Catrina é um símbolo da cultura popular mexicana. Ela é a representação do esqueleto de uma dama da alta sociedade de uma forma humorística, sendo uma das figuras mais populares da Festa do Dia dos Mortos no México, junto às Caveiras Mexicanas, também chamadas de Sugar Skulls (caveiras de açúcar).
Este nome é uma variante feminina da palavra Catrín ou Catarina, no português. A sua característica marcante, normalmente, é uma mulher usando um chapéu, como distintivo da alta sociedade do início do século XX, mas existem outras releituras com cabelo solto ou com flores.

Originalmente, a utilização do chapéu era para lembrar que as diferenças sociais não significam nada perante a morte. A Catrina é, então, um símbolo de igualdade e um convite ao bom humor e reflexão sobre as coisas realmente importantes na vida.

Trago, aqui, a imagem desta Catrina queme foi presenteada por um grande amigo, para que possa propor uma brevíssima reflexão sobre este assunto pavoroso para a maioria das pessoas: a morte.

A palavra morte tem sua origen no latin “mors”, “mortis” e significa fim da vida, término da ação de viver, separação do corpo e da alma, desaparecimento, aniquilamento, destruição.

Ao mesmo tempo, a palavra AMOR (também derivada de “mors”, “mortis”) em latin significa “sem morte”.
Tereza Vazquez, em sua monografia de titulação como Facilitadora de Biodança conclui a palavra “amor” como sinônimo de “sem limites, sem destruição, sem aniquilamento, sem separação, sugerindo infinitude. E “amortizar” como o resgate da escravidão a que fomos submetidos quando começamos a separar o sagrado do profano.

A mim, parece especialmente sugestivo que "morte" e "amor" partam do mesmo radical latino... Se são assim tão próximas, de onde vem, de fato, nosso pavor em falarmos sobre o primeiro e, ao mesmo tempo, vivermos brandando o sagundo, a ponto de desgastá-lo enquanto sonoridade e conceito?

A Catrina, em sua esquelética elegância, é um convite para revisitarmos nosso estilo de viver que, na maioria das vezes, é um estilo de adoecer e antecipar a morte não como fenômeno natural da existência, mas como cessação de todo movimento pleno de significação.  

A Biodança enquanto “poética do encontro humano” renova, a cada sessão, o convite para a experiência a-morosa no aqui e agora como a grande subversão que podemos aplicar sobre um cotidiano que, tendo consumido quase tudo que está vivo, agora exibe os ossos para decidirmos o que vamos fazer com eles. É nas rodas, em frente ao outro, que revisitamos nosso estado humano de sermos gente e renovamos nosso compromisso de manter a vida como o que há de mais importante em todo universo. A isto chamamos Princípio Biocêntrico.

Nenhum comentário:

Postar um comentário