domingo, 6 de julho de 2014

CORPOGRAFIA



CORPOGRAFIA 
Hilda Nascimento



Nosso corpo é a condição que a energia vital encontra para materializar-se na terceira dimensão. Assim, aparecemos uns diante dos outros com altura, peso, cor, textura, sons e todas as outras características que nos permitem interagir. É possível nos relacionarmos com o mundo via olhar, gostos, cheiros, toques, pela fala e seus silenciosos intervalos. Nosso corpo nos permite pensá-lo como uma superfície que dá a ler sua própria história, mas também, como um receptáculo que impulsiona suas impressões do real para o universo do símbolo. 


E... o que pode este corpo?  Suas possibilidades são inúmeras. Provavelmente, digamos... “infinitas” porque não conseguiremos nomeá-las.


A corpografia é uma maneira de compreender o corpo em sua receptividade e transmissão, um modo de escrever com o corpo a partir daquilo que o afeta.


Inúmeros são os ambientes de existência do corpo. Uma barriga, um berço, a escola, a família, a rua, o trabalho... Tais ambientes tanto promovem quanto estão implicados nos processos interativos geradores de sentidos a serem desenvolvidos pela sensibilidade do corpo.  São fatores de continuidade da própria corporalidade. São “corpos” que abrigam outros tantos corpos. 


O movimento humano expressa  certo regime de organização de um conjunto aprendido  na experiência do viver  e seus  princípios compositivos adotados. Explicita, também, as condições ambientais que permitiram a este conjunto estabilizar-se como regime ou padrão corporal. A isto poderíamos chamar de “imprinting”. 


A Biodança é um dos recursos de que dispõe o corpo para instaurar coerências entre sua corporalidade e seu ambiente de existência, produzindo outras e diferentes condições de interação desafiadoras de novas sínteses – novas corpografias. Cada dança expressa um modo particular do corpo conduzir a tessitura de sua rede de referências informativas, a partir das quais, o seu relacionamento com o ambiente pode instaurar novas sínteses de sentido  ou coerências. Através da vivência, dos exercícios propostos e dos movimentos plenos de significado, os corpos podem revisitar suas inscrições e atualizar sua autografia.

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