terça-feira, 15 de julho de 2014

BIODANÇA E NEUROPLASTICIDADE




A Neuroplasticidade — uma das descobertas mais revolucionárias desde que os cientistas desvendaram os primeiros esboços da anatomia básica do cérebro — promete derrubar a noção ultrapassada de que o cérebro adulto é rígido e imutável. Ela não apenas dá esperança àqueles com limitações mentais, ou com lesões neurológicas consideradas incuráveis, mas também expande nosso entendimento da saúde do cérebro. Seu conceito sintetiza essa capacidade dinâmica, mutante, transformadora. 

Esta qualidade do nosso cérebro, implica mudanças na transmissão de informações entre os neurônios, tornando alguns mais ativos, outros menos, de acordo com as necessidades impostas pelo ambiente externo e pelas próprias operações mentais.

Este é um território fantástico. De acordo com este novo conceito, aprendemos como nossos pensamentos podem ativar ou desativar nossos genes, alterando a anatomia do cérebro. Vemos como os cientistas desenvolveram máquinas que podem acompanhar essas mudanças físicas para ler os pensamentos, permitindo que uma pessoa com paralisia controle computadores e aparelhos eletrônicos. E verificamos como uma pessoa com uma inteligência mediana pode, com exercícios, aumentar seu poder de cognição e percepção.

Sim! Nosso cérebro é mutante, e não estático! Responde aos estímulos ambientais não apenas com operações funcionais imediatas, mas também com alterações de longa duração, algumas das quais podem se tornar permanentes. É um órgão plástico, vivo e pode de fato transformar as suas próprias estruturas e funções, mesmo em idades avançadas.

Ao conversar com alguém, é preciso que você mantenha na sua memória por algum tempo as frases que emitiu e os assuntos que abordou. No dia seguinte, talvez isso não seja tão necessário. Essa é a chamada memória operacional, de curta duração, baseada apenas na persistência das informações nos circuitos neurais durante minutos ou horas. Os informatas a chamariam de memória RAM do cérebro.

Fenômenos neuroplásticos mais duradouros ocorrem com o treinamento e a aprendizagem. Nesses casos, os circuitos neurais envolvidos tornam-se fortes e permanentes. O hardware cerebral se modifica, com a emergência de novos circuitos entre os neurônios e o fortalecimento daqueles mais utilizados.

A informação obtida persistirá durante muito tempo, às vezes durante toda uma vida. Quem não lembra até a morte o nome de sua mãe, a data do seu aniversário, o primeiro beijo apaixonado, ou como andar de bicicleta e amarrar o sapato?

A Biodança representa, entre outras coisas, é um dos recursos que promovem o exercício da Neuroplasticidade. A exposição à música e propostas integradoras, a prática criativa, o contato com sensações e emoções, a renovação de imprintings, a dinâmica dos exercícios propostos, as situações desafiantes e o desenvolvimento da afetividade e da auto estima, renovam o arquivo de experiências vividas, o que promove novas sinapses e carrega a memória com o resultado de vivências plenas de sentido.

Especificamente em relação a Transtornos de Humor como a Depressão, a Biodança vem constituindo-se como uma promessa. Estudos recentes tem correlacionado a patogênese da depressão com o estresse crônico severo, devido a potencialidade desse para afetar negativamente os mecanismo moleculares e celulares de neuroplasticidade e neurogênese. 

Outros estudos têm demonstrado o valor tanto dos anti-depressivos quanto de outras estratégias capazes de promover a neuroplasticidade como formas de tratamento da depressão, como é o caso do exercício e de ambientes enriquecidos. A Biodança, ao produzir um ambiente enriquecido através da música e da estimulação motora e afetiva, é capaz de reverter os efeitos do estresse e estimular os fatores de neuroplasticidade, podendo assim, entre outros resultados, contribuir para a melhora de pessoas portadoras de depressão.



Um comentário:

  1. Olá!
    Vocês oferecem cursos de biodança? Tenho muito interesse!
    Grata,

    Sarah

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