quarta-feira, 1 de junho de 2011

“Por quê você parou de respirar?” | Por Hilda Nascimento

Eu não havia notado. Não havia notado que sempre sustinha minha respiração quando a vivência me assustava e eu não podia fugir dela. Eu encouraçava meu peito. Ativava meus músculos para congelar minhas emoções, para me distanciar do que estava acontecendo, para me defender. Essa era a verdade.
- “Respire”!
E o medo...
-“Respire e perceba suas sensações. Atravesse o que for preciso e saia em algum outro ponto, diferente desse onde você está agora”.
E o frio na base da coluna. Nunca um ato natural parecera tão pesado e curto!  E as palavras decisivas:
- “Você pode. Eu estou aqui do seu lado.”

Há milênios a respiração é reconhecida como uma ponte entre o corpo e o espírito, entre o inconsciente e o consciente. O uso da respiração como método de equilíbrio e cura tem uma longa historia.  É provável que tenham sido os antigos yogues os primeiros a descobrir a relação entre a respiração e os estados físico-mental-espiritual. Eles notaram que certas formas de respirar evocavam estados mentais correspondentes. Outra corrente de sabedoria oriental que enfatiza práticas de respiração consciente para obter saúde e longevidade é o Taoísmo.  Idem para o Budismo.

“O processo da respiração, se profundamente compreendido e experimentado, pode nos ensinar mais que todas as filosofias existentes no planeta”. Lama Govinda

Durante muito tempo a respiração foi compreendida apenas como uma função “automática”, não considerada como um tema adequado à investigação científica. Teriam os cientistas, medo da morte? 
Após a guerra do Vietnam, médicos especialistas entregaram-se a estudos exaustivos sobre a respiração. Verificou-se que, quando um homem respirava profundamente, sua recuperação era mais rápida e que isto elevava o nível de uma importante substância lançada em suas correntes  sanguíneas: a endorfina - nossa morfina endógena, capaz de regular humores, acelerar o processo de cicatrização dos tecidos, alterar a percepção do ambiente, diminuir a recorrência aos hospitais, ativar o sistema imunológico, entre outras funções. 
As concepções ocidentais modernas sobre o valor terapêutico da respiração consciente foram redimensionadas pelo psiquiatra alemão Wilhelm Reich, que revolucionou a psicologia profunda, como pioneiro para uma nova compreensão do corpo e sua extraordinária importância para o ser humano como um todo.

Temos que: toda intensificação neste campo da pesquisa configurou-se no pós-guerra. Será necessária outra guerra para admitirmos que esta singularidade é fundamental para manutenção de uma saúde equilibrada?
Sabendo-se que a respiração é a única função corporal que, apesar de ser vegetativa ou involuntária, pode também ser voluntária, que o corpo SABE respirar e ele naturalmente respira suficientemente para manter as funções vitais, podemos escolher respirar não apenas porque precisamos, mas porque QUEREMOS. Isto é tornar a respiração um ato da vontade e, com isto, aproveitar conscientemente os benefícios da respiração. Não apenas para manter a vida, mas para interferir em estados mentais, energéticos e emocionais. 
Mas este assunto não se esgota aqui. 

E por falar nisto, como está sua respiração agora? Vamos! Continue respirando!

HILDA NASCIMENTO

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