quarta-feira, 1 de junho de 2011

Como assim? | Por Juliana Rocha

Olho ao meu redor a quantidade de propagandas em outdoors, revistas e tv  que fazem um apelo (ou culto?) gigantesco ao corpo perfeito, à imagem idealizada e me pergunto: onde estou? Não tenho nenhuma identificação com esse padrão de beleza pregado onde, nas fotografias, as mulheres viram bonecas de plástico de tantas alterações que são feitas pelo photoshop. As tradicionais avós sumiram, pois, para não terem nenhuma ruga, elas esticam tudo, enxertam química no corpo todo e se submetem a infinitas cirurgias. Obviamente, nunca é suficiente - sempre há o que consertar. Afinal de contas, os modelos padronizados de beleza da mídia sempre se atualizam. Mas isto não está acontecendo apenas com mulheres de mais idade. As de vinte já se sentem insatisfeitas com seus corpos.

Esta exigência estética tem gerado um grande nível de infelicidade nas mulheres da atualidade, que correm desesperadas para os médicos esteticistas em busca de um milagre. Tenho um amigo cirurgião plástico que conta que as mulheres chegam em seu consultório com as revistas nas mãos e pedem: “Doutor, quero que meu nariz fique igual a esse e o meu peito igual a esse outro”; “quero ter as coxas de Cláudia Raia, a boca de Angelina Jolie, a barriga de Carolina Dieckman” e por aí vai.... O que é isso? O que está se passando? Alguém pode me explicar? 

A conseqüência disso é o aumento de patologias decorrentes da distorção da auto-imagem como: anorexia nervosa e bulimia nervosa (transtornos alimentares que afetam principalmente adolescentes que se preocupam excessivamente com a forma física, com o peso e possuem um olhar distorcido do próprio corpo). Também existe a síndrome de dismorfofobia ou transtorno dismórfico corporal (ou síndrome da distorção da imagem): “é um transtorno psicológico caracterizado pela preocupação obsessiva com algum defeito inexistente na aparência física. A doença é estimulada pela comparação que as pessoas fazem de si mesmas com imagens exibidas em outdoors e revistas”.

Do outro lado desta loucura, existe uma indústria enriquecendo: a do Cosmético, que nos acompanha o tempo todo através da publicidade, vendendo ilusões com falsas soluções estéticas. Até propaganda de cirurgia no fundo de um ônibus eu já vi. Estamos vivendo a era das aparências! 
Até pouco tempo atrás, questionava-se a idéia de que as pessoas valiam pelo que possuíam e pelo que consumiam.  Atualizamos esta lástima – agora as pessoas valem pela forma que têm (ou conseguem comprar). Será? 

Sou feminina e vaidosa! Faço parte de uma fatia de mulheres que entendem beleza de outra forma: gostam de uma boa apresentação sim, mas incluem suas imperfeições, cometem excessos em nome do prazer de degustar uma maravilhosa fatia de torta de chocolate com morango e, por isso cuidam do seu corpo, fazem exercícios, investem na qualidade da alimentação e valorizam o equilíbrio da mente e do corpo.    

Em tempos de Carnaval (a festa da carne), entre pra este bloco!

JULIANA ROCHA

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