quarta-feira, 1 de junho de 2011

A arte de cuidar | Por Eliana Fonseca

Cuidar: esta é a essência da Enfermagem. 

Definida como a arte e a ciência de cuidar, seja do individuo em si mesmo, na família ou em comunidade, as atividades desta profissão logram promover a saúde, prevenir doenças, recuperar e reabilitar pessoas, usando como instrumento o cuidado.

No contexto das instituições, o Cuidar encontra-se, ainda,  frequentemente associado ao tratar dos doentes  e da doença, dissociado do cuidar do Ser em suas diversas dimensões.  A  prática profissional ainda trata orientada por um discurso de não envolvimento, destituída de sentimentos. No  aprendizado dos processos de  Enfermagem,  Cuidar (diferente de tratar)  é ver o indivíduo como ser integral, unidade bio-psico-social com valores e vontades próprios, insubstituível, que demanda qualidade de Vida, na Vida e promoção da Saúde.

No uso do cuidado de qualidade o enfermeiro cria um ambiente de empatia com o ser cuidado, interage com ele, e juntos constroem um espaço propício para que ocorra a ajuda. Pois, apesar de sermos os “profissionais formados”, o corpo é do outro, e é do outro que cuidamos, e se ele não nos autorizar, ou melhor, não se autorizar a ser ajudado nada ocorrerá.
Esta ajuda pode ser traduzida como banhos de leito, sondagens,  enemas, curativos, administração de medicamentos, planos de cuidados personalizados, mudanças de posição, lençóis esticados, recomendações! Mas pode ser  mais, muito mais, pois ser enfermeiro vai além da execução de  práticas e técnicas científicas, ele transcende o entendimento delas. 

Esta não é uma compreensão universal, mas é necessária, e vem sendo trabalhada há muito tempo.
Quando Florence Nightingale, considerada a fundadora da Enfermagem moderna, atuou na Guerra da Criméia, sua prática acreditava nos resultados positivos da combinação de  uma limpeza meticulosa, tanto no ambiente quanto pessoal,  ar fresco, iluminação e calor adequados, nutrição  e repouso, aliados a fomentação da cura no paciente!

Suas ações, e de suas pupilas, reduziram a mortalidade entre os soldados britânicos e provaram a eficiência das enfermeiras,  treinadas para a recuperação da saúde nos indivíduos.
Suas idéias apontavam para a saúde como um estado onde o indivíduo tenha condição  de usar  toda a sua capacidade e não apenas estar bem, e que a atuação da enfermeira teria como meta colocar o paciente na melhor condição possível para que a natureza (intrínseca?) pudesse restaurar ou preservar a saúde.
Acolhendo esta linha de pensamento, creio que ser enfermeiro, especialista em cuidado, é respaldar-se  no conhecimento técnico-científico,  e transcendê-lo,  exercendo  o cuidar  protetor da vida, assegurando o bem-estar,  sorrindo  para animar, segurando  a mão para dar coragem,  escutando (até o não dito),  acolhendo o diferente, silenciando quando as palavras são inúteis.  É insuflar no ser cuidado o interesse pela própia cura.  É  respeitar no indivíduo diante de si  a dignidade do ser humano , vendo-o (e sendo visto) na sua inteireza,  e atrevendo-se a desvelar-se, já que para tudo isto coloca-se diante da própria existência como o humano ser que é. 

ELIANA FONSECA

Nenhum comentário:

Postar um comentário