terça-feira, 1 de agosto de 2017

"RELAÇÕES PURAS"




"RELAÇÕES PURAS"






Quando a capacidade do objeto de gerar prazer cai abaixo do nível prometido ou aceitável, chegou a hora de se livrar daquela coisa chata e desinteressante, aquela pálida réplica ou feia caricatura do objeto que um dia abriu caminho para o desejo por meio do brilho e da tentação. É moderna, simples e líquida a ação do descarte.  Vai-se, então, em busca de um novo objeto atualizado, melhor equipado, para proporcionar novas sensações, todas elas exibidas numa vitrine, num canal de relações ou na prateleira de uma loja. É a chamada “fadiga do prazer”, especialmente reinante porque, aquilo novo que está prometido, ainda não foi experimentado, conhecido, comprovado. Entretanto, se foi criado, deve ser superior e dotado de maior poder de atração. Assim, o artigo anterior é dirigido ao lixo, seja ele uma coisa ou uma pessoa.

Neste segundo caso, a atualidade nos confronta com as chamadas “relações puras”, baseadas apenas na satisfação delas extraída ou seja,  sem compromissos e alcance indefinidos. Nelas, quando a satisfação diminui, é sobrepujada pela disponibilidade para uma satisfação ainda mais profunda, isto contemplando a perspectiva de, apenas, UM parceiro. Assim, cada cada um dos dois parceiros de uma "relação pura", separada ou simultaneamente, tentará fazer o papel de sujeito, tendo o outro como objeto. É claro que um pode se deparar com um objeto que se recuse a aceitar o papel de “coisa”. Isto acontecendo, tentará seduzir seu parceiro(a) a essa condição, por uma falta de estrutura interna particular para desenvolver um relacionamento onde a reciprocidade seja real.

Eis o paradoxo insolúvel  da chamada “relação pura”: cada parceiro presume seu direito à condição de sujeito e, ao mesmo tempo, a redução do outro à condição de coisa. Entretanto, o sucesso de ambos em transformar esse pressuposto em realidade representa a ameaça de término da relação. Esta proposta é, portanto, uma tentativa previamente fadada  ao fracasso por sua própria natureza ficcional e ambos os parceiros estão condenados a conviver com o medo de uma possível rejeição e um pavor constante de despertar dentro de um pesadelo chamado solidão.

Essa relação replica o padrão consumista da modernidade e sua tentativa de dominar os relacionamentos humanos. Martin Bubber há muito derrocou essa premissa nos falando do substancial avanço da qualidade de relação humana para EU-TU. Mas, nesta última, há o exercício muitas vezes fadigante de falar/escutar, dar/dar-se/pedir/receber, confrontar a própria fragilidade com o medo de ser fraco, tornar-se vulnerável para absorver a própria vida.

Outro equívoco substancial dá-se ao confundir a “relação pura” com o significado profundo da liberdade e da reciprocidade. O simples fato de haver satisfação de ambos os lados de um relacionamento não cria, necessariamente, reciprocidade. Significa apenas que os dois indivíduos em relação se satisfazem ao mesmo tempo.

Para que aconteça reciprocidade, é necessária a intenção do vínculo com interação de conteúdos, razões explícitas e ajustadas, retroalimentação e intenção de sustentação. Esta qualidade é cuidadosa, permeável à afetividade e à sensibilidade cenestésica – não apenas à satisfação pessoal em detrimento do outro.  É um estado de ressonância afetiva, de construção dialética.

Muitas vezes, consideramos como necessidade de vínculo, apelos dissonantes da voz interna do nosso ser essencial. Esses apelos vêm do meio onde estamos inseridos e nele somos reconhecidos. Quanto mais exercitarmos nossa sensibilidade e refinarmos o padrão de conhecimento próprio, mais teremos respostas sobre aquilo que é verdadeiramente nosso e atende ao que vem da nossa intimidade e nos leva à autonomia.

As chamadas “relações puras” são exemplos de insensibilidade moral. Criam um território defensivo, morbidamente neutro, proclamador do “nem bom nem mau”, disfarçado de “não julgante” para escusar-se de opinião e comprometimento. São relações transpostas de consumidor-mercadoria: no final do uso, descartamos e nem lembramos mais. As situações de vínculo são mais complexas. Envolvem riscos com sensações e sentimentos apavorantes como culpa e escrúpulo. Muitas pessoas, na tentativa de sanar tais sensações, recaem no ambiente líquido moderno, tentando compensar sua negligência com presentes e outros objetos que tamponam o desejo de vinculação mais profunda. São tranquilizantes, dopantes, anestésicos, todos à disposição de redimir os efeitos das dores não físicas, até que isto se torne um vício e, com ele, uma segunda natureza batize este novo homem.

Tal comportamento leva o ser humano a ser um consumidor, antes de ser um amante, um parceiro, um amigo ou qualquer outra denominação que implique em vínculo e reciprocidade genuínas.  Está criado, assim, um  mundo assustadoramente instável, composto apenas por desejos, isento de realidade, onde a vontade não faz sentido.

Com-prometer-se. Cuidar como um modo de ser no mundo. Conhecer e dar-se a conhecer. Vulnerabilizar-se para a relação. Integrar-se com a totalidade. Estes são os efeitos reguladores das experiências em Biodança que propõe vivências inspiradoras de relações e vínculos profundos. Nada “puros”. Mas estruturadores e essenciais.

terça-feira, 27 de junho de 2017

A CONSCIÊNCIA CRIA REALIDADE



A CONSCIÊNCIA CRIA REALIDADE





Amit Goswami, Professor de física na Universidade do Oregon e doutor em residência no Instituto de Ciências Abstratas em Sausalito, CA, é um indiano radicado nos Estados Unidos que sustenta ser a consciência a criadora da realidade física.  Ele defende que a mente pode alterar a matéria, porque ambas partem de uma mesma essência e, esta essência, é que nos permite perceber o mundo como percebemos. Desta maneira, a realidade é uma complexa ilusão perceptiva e nós vivemos plasmando aquilo que achamos que já existe.

Nesta perspectiva, além dos nossos pensamentos, também estão os nossos sentimentos. Eles são capazes de interferir na realidade mudando a sua forma.  A ciência moderna afirma que o ser humano é dotado de um cérebro quântico e, através de sua mente, é capaz de dar significado a tudo. Desta maneira, deixamos o lugar de sujeitos e passamos ao status de protagonistas criadores da nossa própria vida. A capacidade de sincronização da mente ao ser estimulada é surpreendente e pode ser observada. Ela cria a realidade onde existe.

O que podemos pensar, então, do ato de liberarmos energia amorosa, intencionalmente, na direção de uma outra pessoa? Quando falamos de amor enquanto força, enquanto energia disponível, falamos de uma vibração que busca ressonância em ondas semelhantes. Acompanhando o pensamento da física quântica, esta ação consciente implica em afetar este outro, por ressonância, com um campo que alimenta e é alimentado por este mesmo sentimento. Isto porque, seguindo o pensamento de Goswami, existe um corpo vital, sutil, que se expressa nesta dimensão como corpo físico, mas vibra, é "não local" e está sintonizado com campos que o alimentam por ressonância. Assim, todos os corpos e tudo que existe no planeta é criado, a cada momento, pela mente e suas escolhas.


A Biodança acontece em grupos profundamente vinculados que experimentam a prática da interferência direta de escolhas consciente em seus dias com o propósito de transformar estilo de adoecer em estilo de viver. Amor é energia permanente à disposição da toda cura que pressuponha estabilidade e abundância. 

quarta-feira, 1 de março de 2017

TOCAR - um ato revolucionário

TOCAR – um ato revolucionário


Sabemos que a nossa pele é um órgão de comunicação. Mas até onde estamos livres para tocar verdadeiramente com consciência, qualidade e, através deste toque, plasmar a realidade?

Tato é diferente de contato e diferente de carícia. É, também, diferente de carinho. Em Biodança, tratamos de identificar claramente estes signos, seus significantes e significados. Aqui, uma brevíssima reflexão sobre cada um deles.

TATO é uma função apenas sensorial. Diz respeito ao veículo que levará uma coleção de estímulos percebidos pela nossa pele para que sejam processados e identificados pelo nosso cérebro. É através dele que identificamos o que é quente, frio, mole, duro, macio, crespo e o que mais pudermos lembrar, em sequência. Assim, os receptores captam, as sinapses transportam os estímulos e o cérebro identifica. Voilá!!!

CONTATO é uma sofisticação do tato. Ele inclui a atenção à outra presença que gera o tato, conferindo-lhe importância. Por exemplo: frio DO GELO. Não mais apenas um frio anônimo. Quando pensamos em seres humanos, isto ganha qualidade: pele macia DE...   Então já não se trata de uma pele qualquer. Isto distingue, qualifica, identifica e aprofunda o que antes era apenas uma resposta do cérebro. Componentes emocionais começam a ser incluídos. Aqui, o processo de identificação do humano começa a se estabelecer, pois só conseguimos estruturar nossa identidade na presença do outro. O contato se estabelece, então, como uma necessidade. Podemos observar como sua privação afeta profundamente uma pessoa, bastando imaginar o quanto a “solitária” é apavorante até mesmo para quem está no sistema prisional. Este castigo busca domar comportamentos inaceitáveis socialmente, confinando a pessoa ao limite da sua própria pele – sem outra referência. Assim, inúmeras dimensões da existência começam a definhar. É fácil observar que este castigo – a solitária, é utilizado por um breve período de tempo. Isto porque ele pode provocar o esfacelamento da identidade por falta de referência sensorial semelhante. Em outras palavras: falta de contato.

Diz José Ângelo Gaiarsa:

“Montagu acredita que a capacidade de um ocidental se relacionar com seus semelhantes está muito atrasada em comparação com sua aptidão para se relacionar com bens de consumo e com as pseudo necessidades que o mantêm em escravidão. A dimensão humana encontra-se constrangida e refreada. Tornamo-nos prisioneiros de um universo de palavras impessoais, sem toque, sem sabor, sem gosto. A tendência natural é as palavras ocuparem o lugar da experiência. Elas passam a ser declarações ao invés de demonstrações de envolvimento; a pessoa consegue proferir com palavras aquilo que não realiza num relacionamento sensorial com outra pessoa.“

Segundo Roberto Shinyashiki a CARÍCIA é uma unidade de reconhecimento humano. Ela vai além do contato, almejando o interior do outro, o bem do outro, a cura. Tem consciência de reciprocidade e intenciona a revelação mútua pela ressonância provocada. É um gesto considerado terapêutico, carregado de significado, poderoso reorganizador da saúde que alcança camadas muito profundas e sutis da identidade, restaurando e resignificando memórias traumáticas e enfermidades decorrentes da falta de contato qualitativo.  O corpo responde à carícia liberando hormônios reguladores do stress e otimizadores do bem-estar.

Leonardo Boff escreveu:
“carícia é essencial quando se transforma numa atitude, num modo-de-ser que qualifica a pessoa em sua totalidade,  na psiqué,  no pensamento, na vontade, na interioridade, nas relações. 
O órgão da carícia é, fundamentalmente, a mão: a mão que toca, a mão que afaga, a mão que estabelece relação, a mão que acalenta, a mão que traz quietude. Mas a mão é mais que a mão. É a pessoa inteira que através da mão e na mão revela um modo-de-ser carinhoso. A carícia toca o profundo do ser humano, lá onde se situa seu Centro pessoal. Para que a carícia seja verdadeiramente essencial precisamos cultivar o Eu profundo, aquela busca do mais íntimo e verdadeiro em nós e não apenas o ego superficial da consciência sempre cheia de preocupações.”
O CARINHO tem componentes de ludicidade e leveza. Nele, a intenção é de alcançar a porção tenra do ser, a criança interna e mantê-la acolhida, protegida e cuidada.


Os exercícios de encontro, em Biodança, promovem o desenvolvimento consciente do contato humano para que ele chegue à qualidade de carícia. Esta é uma proposta revolucionária. Progressivamente, as danças vão permitindo a abertura de espaços internos antes impossíveis de serem visitados, numa atmosfera de cuidado e natural vinculação com a espécie. Desta maneira o indivíduo vai renascendo num ambiente seguro, movido a vínculos profundos que celebram a vida como o fenômeno mais importante do universo. 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

AS 4 DIREÇÕES E OS ANIMAIS SAGRADOS

AS 4 DIREÇÕES E OS ANIMAIS SAGRADOS






As tradições que giram em torno da idéia de unidade, trabalham com o conceito de que toda a Criação é um só organismo consciente interligado, interagente e interdependente. Por mais que um bom leitor busque compreender a vida em seus compartimentos, a síntese sempre vai levá-lo na direção de perceber que tudo é uma coisa só. Muito mais do que uma tradição xamânica, este é um tema discutido pela física quântica, ne atualidade. Assim, precisamos compreender que todo universo está dentro de nós e, ao mesmo tempo, que cada um de nós é um fragmento de uma Consciência muito maior. Somos, portanto, co-criadores do universo que está em constante expansão.

As Mitologias, os símbolos sagrados e tudo que é contado geração após geração, apenas buscam colocar fora do homem o que ele tem dentro de si mesmo mas nem sempre consegue entrar em contato: seus poderes, talentos, qualidades, capacidades e virtudes. E é assim nos reportamos aos arquétipos: evocando de dentro de nós mesmos, qualidades por eles espelhadas.

Considerando-se que toda a criação é consciência e movimento, todas as tradições se ocupam em compreender e codificar esta complexa dança universal criando diversos sistemas dialéticos que pulsam entre si numa retroalimentação constante. Desta maneira, aqui vou escrever um texto brevíssimo tratando sobre as 4 direções e seus animais de sagrados, inspirado na sabedoria dos índios norte-americanos, sem esquecer que estas referências estão direta e intimamente interligadas a vários outros sistemas quadrilógicos integradores espalhados sobre o planeta.






LESTE – Fogo - Águia Sagrada – PRIMAVERA -  casa da verdade - 6 horas

Esta é a Direção regida pela Águia, associada ao Caminho do Visionário – da Verdade.  
Este animal é o único que consegue voar na direção do sol sem precisar piscar os olhos. Consequentemente, ele consegue voar altíssimo sem refutar a intensa luminosidade que cega ou ofusca a maioria das pessoas.

Aqui o aprendizado é do uso da visão para desenvolver o foco, a concentração e o necessário desapego daquilo que precisa ser mudado. O convite é para a responsabilidade da ação assertiva, do ato de criação que vai dirigir o tipo de futuro que queremos para nossa alma. É a preparação para a morte, no sentido de olhar de frente o que precisa acabar para que outro aspecto possa ser estabelecido. É o portal da quebra de paradigmas. Olhar de frente para o Sol dos dias e VER o que precisa ser visto. Nesta direção, o andante identifica sua verdadeira origem, reconhece quem, realmente, é e qual a sua verdade. Se há claridade, então todas as sombras são dissipadas e há um convite urgente à ação.


SUL – Terra – Coiote – VERÃO - casa da inocência – meio dia

No Sul mora o Coiote, o divino trapaceiro, o coringa e sua capacidade de dar o primeiro passo, de acreditar que vai dar certo. O trabalho a ser desenvolvido nesta Direção é livrar-se do passado e seguir em frente num ato de poder e liberdade. Esta casa nos convida à alegria e à coragem para correr riscos mas nunca ficarmos parados.
É neste horário que nossa própria sombra fica do menor tamanho e podemos pisar sobre ela. Aqui o convite é para conexão com movimento, gratidão, amor, simplicidade e encantamento.

Fé é a palavra mágica que abre este portal. Com ela, entrega, serviço, humildade, troca, intercâmbio, mudança, proteção, auto-confiança e renascimento. É a casa da energia e do vigor físico.

Muitos adultos acabam matando sua criança interior. Este é um equívoco estrutural, pois o adulto saudável deve manter seu contato com a criança coiote que sempre lhe levará aos recomeços. A morte desta criança interior instala o medo, o ressentimento e a raiva que aprisiona as ações e os avanços na vida. O perfil deste adulto é materialista, supérfluo sem alegria para viver. Torna-se encarquilhado e envelhecido na alma, muitas vezes morto-vivo aprisionado em memórias que deveriam ter sido entregues ao fogo do leste.


OESTE – Água – Urso – OUTONO -  casa do silêncio – 18 horas

O entardecer nos convida a olhar para o dia que se despede e nos darmos conta do que fizemos. Esta é a casa do recolhimento, a morada dos sonhos, da quietude, do silêncio interno. O Oeste é o útero, o vaso, o vazio. Nele tudo habita. Aqui ultrapassamos o medo da morte – nos tornamos íntimos dela para preparar o renascimento de um novo dia.

Os ursos vivem alguns meses recolhidos hibernando e só quando chega a primavera eles voltam ao ambiente externo. Como Perséfone e tantos outros mitos de morte e vida, a busca é da síntese do dia, do seu conteúdo essencial e não apenas da aparência do que aconteceu.  Não mais transformar nem transmutar. A caverna exige a transcender. A introspecção e a interiorização são os processos de aprendizado utilizados ao trilhar esta Direção. Paciência, calma, contemplação e solitude para que a visão possa clarear.
Acessar as respostas internas que somente através do silêncio são possíveis de ouvir.

O oeste convida a estar integralmente presente no aqui e agora.


NORTE – Ar - Búfalo Branco – INVERNO – casa do respeito – meia noite

Esta é a direção dos Mestres que entendem o trânsito entre o céu e a terra – os ancestrais. Portal de reverência e respeito a tudo que já nos aconteceu. Esta experiência
nos remeterá a busca do equilíbrio, da alta intuição e da cordialidade. Aqui será aprendido o valor real das palavras e o momento certo de pronunciá-las. Importante falar e importante ouvir. Assim os sábios reúnem pessoas a seu redor para compartilhar experiências.

Os ensinamentos desta direção invocam a clareza de pensamento e persistência para enfrentar os invernos e as noites onde parece que o sol nunca mais vai chegar. Aqui testemunhamos o caminho das mudanças, dos fins e recomeços.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

2017

A JORNADA DOS DEUSES

Uma investigação contemporânea sobre a sexualidade humana.




PROGRAMAÇÃO:

06 de maio – sábado - SEXO, GÊNERO E SEXUALIDADE: OLHARES CONTEMPORÂNEOS – Adriano Cysneiros - Psicólogo
Investigação acerca dasforças que se fazem presentes no campo da sexualidade, desconstrução de conceitos engessados, deslocamento das noções de saúde e doença no que dizrespeito à sexualidade e sua prática.
Das 8 às 18:00
Local: Biocentrum

02 A 04 de junho - PROJETO MINOTAURO – Hilda Nascimento e Eliana Pereira.
Maratona de Biodança em regime de externato (participantes poderão dormir em suas residências)  onde serão abordados os medos impeditivos da expressão integrada desta linha de vivência.
Horários: dia 02 – das 19 às 22:00
                  Dia 03 – das 8 às 18:00
                  Dia 04 – das 9 às 17:00
Local: Biocentrum

15 de julho – sábado – O  MANIFESTOVioleta Campos Ribeiro – psicóloga, terapeuta cognitivo comportamental, especialista em psicoterapia com foco em sexualidade.
Trabalho visando promover uma reflexão sobre os estereótipos do príncipe (alto desempenho) e da princesa (recato e docilidade), como padrões de comportamento nas relações amorosas e sexuais.
Horário: das 8 às 12:00
Local: Biocentrum

25 a 27 de agosto - INFINITO DOS DEUSES – Hilda Nascimento e Eliana Pereira
Nesta maratona de Biodança em regime de internato, inspirada na roda dos deuses do Olimpo,  cada participante poderá entrar em contato mais profundo com os atributos da divindade que mais se aproxima do seu perfil pessoal e, ao mesmo tempo, trabalhar a polaridade que lhe dará equilíbrio.
Regime de internato
Local: Fazenda Campo Verde

01 de outubro - TEATRO TERAPIA – Hilda Nascimento  e  Eliana Pereira
Prática de proposta de Augusto Boal focando situações impeditivas relativas ao tema da sexualidade objetivando desbloqueio de expressões colapsadas pela cultura, pela moral, por vícios desenvolvidos a partir de aprendizados aprisionadores, durante a vida.
Das 9 às 17
Local:    Biocentrum

10 de novembro – TANTRA E SEXUALIDADE – Jorge Coutinho – Terapeuta Corporal Tântrico
Proposta vivencial (Meditações Ativas, Meditações Vibracionais, Meditações Sociais, Vivências em grupo) com o objetivo de levar os participantes a perceber a importância da energia sexual e o papel fundamental que exerce sobre o equilíbrio do indivíduo e a sua auto realização, experimentando a força desta energia, ressignificando conceitos e desbloqueando colapsos impeditivos do sentir prazer.
Das 9 às 17:00
Local: Biocentrum

8 a 10 de dezembro - BANQUETE DOS DEUSES – Eliana Pereira e Hilda Nascimento
Maratona de Biodança em regime de internato para aprofundamento da entrega e desfrute do prazer a partir da linha da Sexualidade.
Regime de internato
Local: Fazenda Campo Verde



MAIORES INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES PELOS E-MAILS:
handragora@hotmail.com
elianapereira1607@gmail.com

VÍNCULO ATRAVÉS DOS TEMPOS




VÍNCULO ATRAVÉS DOS TEMPOS
Rolando Toro



A forma como os indivíduos se vinculam com seus semelhantes tem mudado através da história. Originalmente as formas de vínculo eram solidárias e orgânicas. O instinto de vínculo intra-espécie e a necessidade de sobrevivência conduziam naturalmente a convivência.

O vínculo entre homem e mulher era complementário e não autoritário. As relações com a natureza e o cuidado das crianças davam à mulher um lugar especial na comunidade. A cura, os alimentos, os ritos de fertilidade e reconexão eram preferencialmente femininos. A casa, a proteção do território e o fabrico de ferramentas era tarefa dos homens.

Com o Patriarcalismo surgiu o autoritarismo e o machismo.

A evolução das relações humanas entrou em um processo de decadência através dos séculos.

O Panteísmo, que se manifestava no vínculo cósmico com as divindades vindas da natureza, passou a ser rechaçado pelas religiões com deuses antropomórficos. O medo dos deuses “terríveis” conduziu à crença de que era necessário acalmá-los mediante sacrifícios e sofrimentos. Esta estrutura religiosa se conserva até nossos dias.


Escala de vínculo – natureza das mudanças.

 Individualismo -  indivíduo como átomo social.  Esta  idéia se relaciona com o liberalismo econômico, em que existe liberdade para desenvolver a existência com independência do resto do mundo. Esta forma de vínculo individualista é a mais comum. Suas consequências são a agressividade, a solidão, a injustiça e o sofrimento que abarca milhões de seres humanos. Individualismo e autoritarismo seguem juntos. Os seres humanos são descartáveis.
2.        
     Personalismo – o personalismo consiste na capacidade de certos seres humanos de fazer ressoar sua voz através da máscara – persona. Os atores gregos faziam ressoar sua voz através de uma máscara durante a apresentação da tragédia. No personalismo surge a condição protagônica de um indivíduo que se faz ouvir por suas características pessoais ou sua capacidade de representar uma personagem.

3.       Prioridade do encontro e do diálogo – (Bubber, Paulo Freire, Pichon) Este é um importante passo na evolução do vínculo. Aqui, o ser humano é reconhecido como um “ser relacional”. Aqui existe o diálogo afetivo, o juízo crítico e a prática de uma educação para a liberdade e para a justiça social A teoria do diálogo se orienta principalmente pela comunicação verbal afetiva e solidária.  A ciência tem descrito atualmente outras linguagens silenciosas como o diálogo das carícias, o diálogo psicotônico e o diálogo gestual e do olhar. É possível comprovar a influência dessas formas de diálogo no sistema  hormonal e imunológico. O abraço e as carícias são as formas dialógicas nutracêuticas – nutritivas e terapêuticas.

4.       Expressão da identidade com o outro – (Piaget) Aqui, a identidade só se revela na presença de outra pessoa. O outro é um fator do ambiente ecológico enriquecido em que a convivência estimula a expressão da identidade. Em Biodança se estimula o vínculo inter-humano em seus múltiplos aspectos e se aprende a qualificar o outro, valorizando-o afetivamente e celebrando-o com amor. Aqui, o ser humano passa a ser necessário ao outro.

5.       Empatia – capacidade de perceber e compreender diretamente os estados mentais e comportamento da outra pessoa. É colocar-se no lugar do outro. O outro é, de fato, um semelhante. Este é um fenômeno de expansão da consciência e uma forma de vínculo evolucionária.


6.       Epifania do encontro – Levinas revela que a mais elevada forma de vínculo é o “olhar nos olhos”. Aí reside o êxtase da fusão com o outro. Trata-se de chegar a ser um com o outro. Aqui, a relação perde a assimetria da Empatia. É um vínculo recíproco com o “outro-infinito”, com o diferente a quem não se conhece totalmente. O outro se hospeda e é hospedado reciprocamente através do enfrentamento, cara a cara. É a aproximação absoluta num mundo privado de intimidade com o diferente. Através do olhar ambos alcançam a união com o sagrado num ato de epifania e êxtase.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

TEATRO E BIODANÇA - juntos!




TEATRO E BIODANÇA - juntos!



Para aqueles que desejam desenvolver sua percepção do mundo, seus potenciais de comunicação e expressão através de jogos, exercícios cênicos e muito movimento!

O teatro é uma ferramenta que serve não apenas para profissionalizar atores. Ele pode auxiliar outras pessoas a desenvolverem habilidades como: oratória, raciocínio lógico, velocidade de pensamento, improvisação, trabalho em equipe, expressividade, percepção aguçada da realidade e certamente convida seus praticantes a elevarem sua auto-estima. Porque o teatro é um excelente exercício para perder a inibição e desenvolver a consciência corporal, levando cada participante a dar-se conta da importância de ser do jeito que é.  

O que acontece é que quase ninguém sabe disso. As pessoas pensam que participar de um trabalho de teatro implique, basicamente, em decorar um texto e “aprender” a interpretá-lo. Raramente alguém imagina que a prática para não atores convide os participantes a descobrirem, dentro de si mesmos, todas as qualidades que têm para expressar melhor aquilo que sentem, seja quando leem um texto, seja quando falam de suas emoções.

Praticar teatro abre a cabeça das pessoas, faz com que elas tenham coragem para se arriscar, sugerir, assumir posições e enfrentar desafios.

Neste convite a praticar teatro, sistematizado para um grupo regular para adolescentes, objetivo provocar reflexões sobre a dimensão artística, estética, social e antropológica desta arte, mobilizando estados de efervescência e fruição criativa, que ampliam as visões de mundo e transformam as possibilidades dos seus participantes lidarem com as relações humanas. Isto através de jogos e exercícios corporais dinâmicos, mobilizadores, capazes de gerar elementos para a criação de movimentos, textos, cenas ou trazer para a consciência a lucidez daquilo que é sentido por cada indivíduo/ator na sua relação com os fatos do cotidiano.

Esta proposta traz a Biodança como sua aliada, como promotora de vínculos profundos consigo mesmo, com o outro e com o mundo. Nada como esta linguagem para sensibilizar o humano, despertar e integrar suas capacidades de viver intensamente, sentir prazer, criar, vincular-se e abrir-se para perceber a vida em todas as suas dimensões. Neste trabalho, a Biodança é responsável pelo preparo corporal para a expressão mais refinada daquilo que é sentido.

Dois princípios são evidenciados nesta experiência: a prática teatral como um ritual que passa por escolhas sensíveis e pela emoção estética e a cumplicidade na revelação do humano através do seu posicionamento no mundo.

Este grupo está destinado a adolescentes entre 11 e 15 anos.
Aulas às quintas-feiras das 16 às 18:30.
Início das aulas dia 09 de fevereiro.

“A essência do teatro é um encontro. O homem que realiza um ato de auto-revelação é, por assim dizer, o que estabelece contato consigo mesmo. Quer dizer, um extremo confronto, sincero.” 
Jerzy Grotowski

"O contrário da vida é a falta de movimento."
Rolando Toro